Ficção

Contrastes

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O sábado frio do inverno gaúcho surpreendia pelos contrastes: a temperatura baixa contra o sol brilhante; as nuvens brancas contra o azul do céu; e a paisagem bucólica de uma fazenda dezenas de quilômetros afastada da cidade, e o quase vício de Marcelo por tecnologia, Internet e badulaques eletrônicos. Ao mesmo tempo que passar o dia dos pais com sua família era motivo de alegria, há tanto que não se viam, era motivo de agonia e tensão.

Após uma viagem demorada, plena de comparações inadequadas, do tipo “de Porto Alegre a são Paulo vou em uma hora e meia, mas para ir da civilização aos cafundós é necessário quase um dia”, finalmente ele podia ouvir o crepitar da churrasqueira em que se assaria a carne do jantar. Um beijo na mãe, um abraço no pai e outro no irmão, e tudo que Marcelo queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir, para o passeio acabar logo.

Contudo, seu pai estava preparando uma festança para comemorar a visita do filho que nem parecia da família, de tão diferente, mas de quem sentia um orgulho absurdo, quase a ponto de não segurar as lágrimas ao pensar que o jovem saíra daquele fundão para ganhar o mundo. “Meu filho é quase doutor”, dizia aos amigos, “e ficou no quase só porque achou que ser doutor ia podar a liberdade de ir e vir”. Ninguém entendia a lógica dessa afirmação, mas tampouco alguém inventava de contrariar.

Apesar de estar entediado, Marcelo esmerava-se em fazer agrados à mãe, de quem herdara o espírito curioso, e ao pai, de quem herdara empreendedorismo e honradez. Com o irmão fazia brincadeiras como se ambos ainda tivessem dez anos de idade, do tipo: “olha pra quem te comeu”, rebatido por um “bateu na trave e entrou no teu”. Com sorte logo estaria na cama que a mãe preparara com dias de antecedência, e o domingo não tardaria a chegar ao fim.

146A temperatura que já era baixa resolveu apertar ainda mais, e aquela tendia a ser a noite mais fria do ano. Os convidados para a festança avisaram, um a um, que não iriam por causa do frio, ou de medo de chuva, e Marcelo estava a sós com sua família, e resolveram levar a carne assada para dentro de casa, para o conforto do fogão a lenha. Já estavam prestes a se posicionarem ao redor da mesa quando um último convidado chegou, sem saber que a festa estava cancelada. A noite de Marcelo já não estava assim tão ruim.

Seu Alceu era um amigo antigo do pai de Marcelo, mas como este fora muito cedo embora da casa paterna, os dois não se conheciam pessoalmente. Enquanto Marcelo, professor, escritor, filósofo, tradutor, estava nos primeiros anos dos trinta de idade, Seu Alceu estava nos últimos dos sessenta, e falava aquele Português que fizera o horror intelectual na adolescência de Marcelo.

— Então esse é o famoso Marcelo? Óia, rapaiz, benza Deus que tu seja um hômi tão bão qui nem teu pai. Tá pur nascê hômi meió imbaxo do sóli.

— Espero nunca desapontar meu pai, Seu Alceu, e agora espero não desapontar o senhor também.

— Sinhô tá no céu, Marcelo, pode me chamá de Arceu que eu gosto de me senti mais novo.

Se por um lado aquele jeito de falar de semi-analfabeto era totalmente contrário ao estilo de vida que Marcelo levava, por outro fazia com que a figura do amigo de seu pai se tornasse de certa forma fascinante. Marcelo não entendia como um sujeito com tão pouca instrução podia ter um patrimônio tão vasto, como alguém que não conseguia pronunciar o próprio nome podia andar de Grand Cherokee num fim de mundo daqueles, ou como aqueles óculos tão grandes podiam ficar tão belos naquele rosto…

Epa!

“Caralho, já estou achando o véio bonito”, pensava Marcelo. “Porra, já estou até pensando ‘véio’ ao invés de ‘velho’”, recriminava-se em seguida.

uu_10Seu Alceu tinha cerca de 1,80m de altura, mais ou menos 95kg de massa corporal, principalmente músculos. Era calvo, e os poucos cabelos que lhe restavam eram grisalhos, da cor do bigode, que contrastavam com o rosto avermelhado, decorrente do frio que fazia. Os olhos azuis ficavam escondidos por detrás de uma armação de óculos que ninguém mais compraria em pleno Século XXI, mas que davam em seu rosto a impressão de uma volta no tempo, aos anos 80, ao combinarem-se com o jeans e a camisa xadrez da US-Top que ele usava.

— Eu não sabia que o churrasco tinha sido cancelado, vô-me imbora, intão.

— Que nada, Alceu, janta com a gente, que o pai também não sabia que as pessoas iam dar o bolo nele e assou quase um novilho inteiro – precipitou-se Marcelo.

— Tá bão, vô ficá, mas dispois da janta vô deitá o cabelo que eu sei que vocêis qué drumi cedo, deve de tá tudo cansado.

Enquanto a mãe arrumava a mesa, o pai de Marcelo preparava uma tábua com os melhores cortes do churrasco. O jovem enfiou-se em um canto onde ficava mais escondido, enquanto pedia a Deus que Seu Alceu sentasse na cadeira ao seu lado. Logo suas preces foram atendidas, pois o pai resolveu ocupar a cabeceira, e a mãe e o irmão foram para o outro lado da mesa. Seu Alceu poderia sentar ou ao lado de Marcelo, ou na cabeceira, de frente para o patriarca, mas acabou optando pela primeira possibilidade.

O jantar transcorreu agradável: as carnes macias e suculentas regadas a vinho tinto, a família reunida cheia de saudade ao redor do filho pródigo, e um visitante absolutamente cativante formavam um conjunto que era um verdadeiro presente para Marcelo.

northway-01À medida que o vinho ia fazendo efeito, Seu Alceu e Marcelo iam sentando mais próximos um do outro. Um milímetro a cada vez, mas não demorou a estarem com os joelhos se tocando, depois perna com perna. Seu Alceu fazia questão de servir mais carne no prato de Marcelo, e este fazia questão de manter a taça do visitante sempre cheia de vinho.

— Quando a muié era viva ela fazia uma carne que ia até vinho no moio. Ô troço bão!

— Há quanto tempo tu és viúvo, Alceu? — perguntou Marcelo.

— Há mais de cinco ano, e decidi não botá otra muié na minha vida, porque elas qué é o dinhero do cara. Pra elas não voga nada se o cara é bão, trabaiadô, honesto, elas qué é dinhero e conforto.

“Então o coroa não quis mais saber de mulher! Aposto que está no maior atraso!”, pensou Marcelo com seus botões, e nem bem terminou de pensar foi surpreendido com um aguaceiro totalmente inesperado.

— A natureza anda toda disregulada, memo – disse Seu Alceu — óia só essa chuva, quem diria que com um frio desses ia acabá chuveno hôji?

— Nós vamos arrumar um lugar pra tu dormires aqui hoje, Alceu. Não vou te deixar dirigir bêbado numa chuvarada dessas, pra dormir sozinho naquele fim de mundo – disse o pai de Marcelo.

17311823— Cama eu boto um dos guris a dormir no chão — disse a mãe, mas o problema é coberta, que não tenho o suficiente pra todo mundo.

— Eu posso dormir na cama de casal com o Marcelo – disse o irmão — e o Seu Alceu dorme na minha cama.

— Não, rapaiz, teu irmão e eu é que semo visita aqui, e não vamo te desarranchá. Se o Marcelo não se importá de dividi a cama cum véio, eu durmo pro lado dus pé, e ele pro lado da cabeça da cama.

— Por mim tudo bem — disse Marcelo sem crer no que seus ouvidos acabaram de escutar.

Convencida pelo marido e pelos filhos, a mãe deixou a louça na pia para lavar no dia seguinte, e logo estavam todos indo para seus quartos dormirem, e Marcelo ainda não acreditando que ia dividir a cama com aquele coroa lindo que acabara de conhecer, embora por estar na casa dos pais, e saber que o coroa era amigo de seu pais antes mesmo de o próprio Marcelo ser planejado, não pretendesse forçar, conduzir ou sugerir nenhuma situação, esperava apenas poder ver o coroa despindo-se, e sentir sua respiração a seu lado à noite.

— Alceu, é asneira dormir com os pés para a cabeceira da cama, fica muito desconfortável. Vamos deitar direito, para descansarmos bem.

Disse isso e rapidamente despiu-se. Normalmente dormiria de cuecas, ou de pijama, considerando o frio, mas antagonizando seu pensamento inicial, ele tinha esperança de que o coroa se inspirasse a tirar a roupa toda ao vê-lo pelado.

Sob as cobertas de lã Marcelo observava Alceu tirando peça por peça de roupa. Primeiro os sapatos, dentro dos quais pôs as meias. Em seguida a camisa xadrez, e a camiseta regata que cobriam um peito cabeludo que fez Marcelo perder o fôlego.

— Hoje em dia não se usa mais camiseta fisga por baxo da camisa, mas eu não sei usar diferente; é o mesmo que botá as carça sem cueca, não sei me comportá.

— Sei como é isso, Alceu, mas tudo é questão de hábito.

Agora o coroa estava tirando as calças, revelando um par de coxas peludas quase espremidas na samba-canção xadrez, da mesma cor da camisa. Seu traseiro redondo também preenchia a cueca, fazendo o pau de Marcelo ficar inchado, embora ainda mole. Após intermináveis segundos de expectativa, finalmente Alceu baixou as cuecas, para ir dormir nu ao lado de Marcelo.

— Tô mei sem graça… Faiz tanto tempo que não fico pelado perto di ninguém que a guasca véia tá até se assanhano… — disse apontando para o pau meio duro, que jazia sobre um saco rosado, flácido, liso e não muito grande, mas ainda assim de dimensões notáveis.

in-025— Bobagem, Alceu, quem sou eu pra pensar ou deixar de pensar qualquer coisa a teu respeito? Só não falemos muito alto, porque o quarto dos meus pais é aqui do lado, e meu pai odeia ser acordado, se não dorme direito levanta com um humor de cão.

— Intão apaga a lúiz que eu vô deitá.

— Deita primeiro, pra não topar em nada. Quando estiveres acomodado eu apago a luz.

Alceu deitou, e a chuva que já estava forte apertou ainda mais, impedindo os dois de dormir. Marcelo então resolveu tentar um estratagema para pelo menos tirar umas casquinhas daquele coroa delicioso, pelado em sua cama, de pau meio duro.

— Acho que vou ter de pedir à mãe mais uma coberta, estou morrendo de frio.

— Não vai acordá tua mãe agora, teu pai vai se incomodá. Eu tô bem quentim, pode chegá mais perto que eu num mordo.

Marcelo então fingiu relutância, mas enfim aceitou a oferta do visitante. Virou-se de lado, aproximou-se de Alceu, e pôs o braço sobre seu peito, e ficou com o pau duro esfregando em sua perna. Após um ou dois minutos assim foi escorregando a mão lentamente, até encontrar aquela mata de pentelhos, no sopé do falo túrgido, como se fosse um tapete de honrarias precedendo um monumento à virilidade.

— Discurpa, Marcelo, ele tá duro nem sei por quê…

Marcelo nada disse. Apenas apertou com força aquele cacete duro, e foi procurando com a boca a boca do coroa, que a seu turno deu sinais claros de que não estava a fim de beijos.

— Acho que a chuva tá diminuíno, é meió eu i drumi na minha casa.

— Alceu, há quanto tempo tu não gozas?

— Eu bato punheta cada semana ô cada deiz dia. Mais faiz pra mais de seis ano que eu não trepo com ninguém, se é isso qui tu qué sabê.

— Então relaxa, que tu vais dar a melhor gozada da tua vida.

Disse isso e caiu de boca nos mamilos do coroa, enquanto com a mão massageava o pinto duro, alternando com uma massagem de leve nas bolas. O ruído da chuva era intenso, abafando os gemidos de prazer que Alceu não conseguia segurar. Foi descendo pela barriga, mordeu o púbis, e abocanhou de uma vez o que pode do caralho do parceiro, mas sem demorar-se muito: tirou-o da boca, lambeu as bolas, as virilhas e desceu beijando as coxas do homem, sem nunca largar o pau duro, que começava a latejar, prenunciando uma erupção de gozo.

— Vira de costas, Alceu, vou te fazer uma massagem nos ombros – mentiu o rapaz.

— Óia, no meu rabo ninguém mexe, eu sô é macho e…

— Vira e relaxa, não vou fazer nada que tu não queiras ou não gostes. Confia em mim.

Alceu virou-se de bruços, facultando a Marcelo deitar-se sobre ele, encostando o pau duro na bunda peluda do coroa. Beijou-lhe o pescoço, os ombros, e desceu beijando e lambendo por toda a extensão da coluna vertebral. Chegou às nádegas peludas, que apertou e beijou, e finalmente separou com as mãos, a fim de enfiar a língua no cuzinho supostamente virgem do coroa, que tremeu todo o corpo como se tivesse sido atingido por um choque elétrico.

— Fica de quatro, Alceu, facilita pra eu lamber.

O coroa obedeceu, abrindo as pernas e deixando o saco pendurado, o pau duro à mostra, e o cuzinho desejoso de mais língua. Marcelo lambia o ânus do parceiro, brincava com as bolas, e de vez em quando punhetava de leve, cuidando para não fazer o homem gozar cedo demais.

— Agora é minha vez, Alceu, chupa meu pau — disse Marcelo conduzindo-o a ficar deitado em sua posição original, e já levando o pau à boca do coroa.

Desajeitado Alceu começou a mamar a pica de Marcelo, que então curvou-se sobre o parceiro, em posição para um meia-nove. Contudo, ele sabia que o velho estava prestes a gozar, e quando isso acontecesse tudo estaria terminado. Marcelo então ficou dando mordidinhas no púbis de Alceu, lambendo a base do caralho, e massageando com o dedo o cuzinho dele, que não podia protestar por estar com uma pica atolada até a garganta. Ficaram um tempo daquele jeito, e Marcelo então decidiu que era hora do tudo ou nada.

— Alceu, lembra que eu te prometi a melhor gozada da tua vida? Deita de lado, então.

O coroa obedeceu, e Marcelo então encostou a cabeça do pau na entrada do rabo do velho, que ameaçou protestar. Além disso, o cuzinho de Alceu estava apertado, trancado, e não tinha jeito de permitir a entrada do caralho de Marcelo.

— Façamos diferente, Alceu, eu deito de barriga pra cima e tu sentas.

— Mais eu não sô puto, não gosto di dá o cu.

— Deixa de besteira, homem, estamos preparando é o teu gozo; dar o cu se fosse para eu gozar. Confia em mim, senta no meu pau que tu vais gostar!

Alceu então ficou de joelhos sobre a cama, e posicionou-se sobre o caralho duro de Marcelo. Passou um pouco de saliva no cu, olhou nos olhos do rapaz, e sentou com tudo, sentindo a pica rasgar-lhe as pregas, abafando a dor num gemido gutural de arregalar os olhos.

— Isso, Alceu, agora fica quietinho e relaxa que a dor já vai passar — disse Marcelo com a mão no caralho do parceiro.

A dor logo passou, e Alceu começou a rebolar na pica de Marcelo, apertando com as coxas a barriga do rapaz, que a seu turno brincava com as bolas carnudas do coroa. Marcelo então mandou que Alceu cavalgasse seu mastro, enquanto tocava uma punheta caprichada no pinto do coroa. Alceu não demorou a explodir num gozo farto, que ensopou barriga e peito de Marcelo de gala.

p1000969O velho saiu de onde estava, jogando-se na cama ao lado do rapaz. Com a mão grossa empunhou o caralho de Marcelo, e bateu uma punheta para que ele também gozasse, após o quê ficaram longos minutos em silêncio, apenas curtindo o torpor proporcionado pelo orgasmo.

Alceu pegou então sua camiseta regata, e com ela enxugou os excessos de fluido em que ambos estavam imersos, mas principalmente Marcelo.

— A gente nunca sabe quando uma camiseta fisga dessas vai sê útil. Bão era tomá um banho, mas se ligá chuvero agora teu pai vai discunfiá, e é capaiz de nem querê que eu vorte mais aqui. E tu tinha razão: foi a meió gozada da minha vida intera, e óia que eu trepo deis dos treze ano de idade.

Deitaram-se novamente, e dormiram o resto da madrugada abraçados.

Na manhã seguinte Marcelo acordou e não encontrou Alceu na cama. Vestiu-se e viu a família reunida tomando chimarrão. Teve a impressão que havia reprovação no rosto dos pais, mas logo percebeu que era besteira.

— Bom dia! Cadê o Seu Alceu?

— Foi em casa cuidar de uns compromissos, mas volta pra almoçar, ajudar a comer essa carne toda que sobrou de ontem – respondeu o pai. — O que que vocês tanto conversaram ontem, que o “véio” só te elogiava hoje, o chimarrão inteiro?

— Nada, pai, na verdade ele que ficou falando, e eu nem respondia de tanto sono que estava — mentiu.

Depois do almoço, Marcelo queria voltar para casa, e Alceu que realmente voltara ofereceu-se para dar uma carona até a rodoviária.

Dentro da caminhoneta os dois tampouco tocaram no assunto da noite anterior, mas ao chegar na auto estrada Alceu perguntou se poderia levar Marcelo até sua casa, em Porto Alegre.

— Faiz tantos ano que não vô praqués banda, tô curioso de vê como que tá aquilo lá.

— Claro, Alceu, e se quiser pode passar a noite comigo.

— Intão bamo nessa, que tá uma brasa, mora?

Marcelo riu satisfeito da gíria do fazendeiro, que passou a contar a história de sua vida enquanto ganhavam a estrada. Ninguém falava nada, mas ambos sabiam que naquele momento eram os dois homens mais felizes do mundo, e tudo que tinham a fazer era simplesmente curtir a felicidade.

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