Ficção

Efeito Estocolmo

Cilon era contador. Ou, como ele mesmo gostava de se definir, bacharel em Ciências Contábeis. Tinha 48 anos de idade, era casado com uma esposa insossa e tinha dois filhos de 17 e 15 anos de idade. Ele tinha um sonho: ver-se livre da mulher para poder curtir em paz sua vida simples e pacata, ao lado dos seus rebentos.

Seu casamento foi arranjado, pois no que dependesse de Cilon ele seria solteiro para o resto da vida. Mas não porque fosse alguma sorte de playboy incorrigível, apenas porque ele não conseguia se ver ao lado de uma mulher, ainda mais uma como a que lhe arranjaram: obesa, mal-humorada, desleixada e fútil.

Sua vida sexual nunca fora nenhum primor. Na verdade, eles estiveram casados por quase dez anos até que ela o convencesse de que tinham de transar. O filho mais velho, a propósito, foi “encomendado” por acidente: no dia em que tiveram a primeira transa, e a única até um ano depois, Cilon estava tão nervoso que ejaculou assim que a glande penetrou a vagina da companheira, e como era seu período fértil, eis que a gravidez aconteceu.

Nos últimos cinco anos mais notadamente ele vinha pensando obsessivamente em um meio de livrar-se do encosto que infernizava sua vida. Principalmente quando chegava em casa e a encontrava despenteada, alcoolizada e fedida sobre o sofá, ou quando ela começava com sua voz de soprano a fazer cobranças quanto a um estilo de vida que Cilon não podia prover.

Mas havia um outro detalhe que perturbava muito o contador: a idéia de livrar-se da esposa era duplamente prazerosa, pois além do deleite que seria a vida sem ela, era ao imaginá-la perecendo nas mãos do assassino que Cilon experimentava suas mais rígidas ereções, e os mais fenomenais orgasmos solitários sob o chuveiro quente. E, naturalmente, a culpa também era dobrada, pois por mais asquerosa que seja uma esposa, não se espera que o marido a mate, e sim, se não querem mais viver juntos, que se divorciem.

Mas Cilon não podia dar-se ao luxo de divorciar-se. Na única vez em que propôs tal expediente ele descobriu da maneira mais humilhante possível que estava nas mãos da megera, que o chantageava francamente por um caso de sonegação de impostos que ele facultara ocorrer ao assinar uma contabilidade falsificada. Ele não poderia perder a profissão, que era o que ele mais amava na vida, depois dos filhos.

Um dia Cilon teve um surto e desabou em prantos na frente de um cliente. O homem, compreensivo e atencioso, ouviu todo o drama de Cilon, que a seu turno apenas ocultou o desejo que tinha de ver a mulher morta. “Eu posso te ajudar, Cilon, mas isso tem que ser um segredo guardado a setenta chaves entre nós!”, disse. “Eu conheço umas pessoas que podem fazer o serviço que essa piranha merece”, emendou como quem lesse os pensamentos do contador.

Poucas semanas depois estava tudo acertado. Cilon havia sacado os quinze mil da poupança do filho mais velho (era para comprar um carro quando o rapaz fizesse 18 anos), e vendido seu Kadett 92 para completar os honorários do “faxineiro” que ia higienizar sua vida. No local e horário combinados ele se encontrou com o cliente que se tornara amigo íntimo, com os bolsos cheios de cédulas de vinte, dez e cinco reais, prontos para irem encontrar com o profissional.

Atravessaram de carro as padieiras mais inimagináveis para Cilon, passaram por territórios de venda de entorpecentes, pagaram pedágios em vários becos vigiados por homens armados de metralhadoras e escopetas, até que finalmente chegaram ao barraco onde vivia Mário Sete Covas, o matador. Ele tinha esse apelido num trocadilho de periferia com o nome do político, e numa alusão ao número de covas que teriam sido abertas pela ação direta dele.

O contador tremia a ponto de não poder andar direito, tamanho seu nervosismo. Pensou em recuar, desistir do negócio, ofereceu ao homicida o dinheiro combinado em troca de ele desistir do serviço, mas os argumentos do amigo foram mais fortes: “tu deixa de ser otário, Cilon! Aquela vaca daquela tua mulher nem te dar aquela buceta fedida não te dá, fica o tempo todo te chantageando, incomodando! Tu vai perder a chance de deixar o Mário fazer o que tem que ser feito?”.

Mário era muito mais experiente, e logo sacou que o drama de Cilon era apenas medo de ser descoberto, e de ir parar na cadeia. “Fica tranqüilo, meu bom homem, que eu sei o que faço, e só faço esse tipo de serviço em quem merece. Na verdade, eu sou um anjo que apareci na tua vida pra te ajudar a ser feliz. Confia no coroa aqui!”, dizia ele com a voz gutural aveludada.

O plano de Mário era bem simples: Cilon iria com a esposa fazer compras no dia em que ela mandasse, para não levantar suspeitas, e quando estivesse saindo de casa daria um toque no celular do amigo, que por sua vez iria a um orelhão telefonar para Mário, que então se posicionaria para uma emboscada onde simularia o seqüestro dos dois; faria o “serviço” na infeliz, e largaria o recém viúvo em algum lugar distante, alguns dias depois, para ele ser encontrado pela polícia.

O dia chegou, e o procedimento foi iniciado conforme o esperado. Ao chegarem no supermercado um homem encapuzado com um trinta e oito na mão abordou o casal, obrigando-os a sentarem no banco de trás de uma Caravan 74. A mulher xingava o contador, exortando-o a ligar para a polícia. O seqüestrador ouvindo isso deu apenas um murro na cara da desgraçada, fazendo-a apagar. Tirou o capuz e pelo retrovisor deu um sorriso para Cilon, que até então não havia reconhecido que era o próprio Mário Sete Covas quem estava guiando. Ao ver a mulher inconsciente e com o olho começando a arroxear ele não conteve uma ereção férrea, e com duas massageadas por cima da calça mesmo explodiu num intenso orgasmo, silenciosamente assistido pelo profissional.

Chegando ao local do cativeiro Mário deu um soco no olho de Cilon, dizendo que era para a mulher não desconfiar quando acordasse. “Mas Mário, você não vai acabar logo com isso?”, perguntou medroso. “Eu só faço se for pra fazer bem feito, seu safado. Vou torturá-la mais um pouco pra tu socar mais umas bronhas igual tu fez no carro”, disse ele com um olhar lânguido. Cilon não conseguia nem definir o que estava sentindo: um misto de medo, excitação, culpa, remorso, alívio. Seus devaneios não duraram cinco segundos e foram interrompidos por uma pancada na nuca que o fez desmaiar.

O contador recobrou os sentidos com uma forte dor na parte anterior da cabeça, e ouvindo a voz esganiçada da esposa: “Cilon, sua merda, o que está acontecendo aqui?”, perguntava ela enquanto socava-o. “Não sei, mas imagino que estejamos sendo seqüestrados… Como vou saber?”, dizia o hipócrita.

Após alguns poucos minutos de discussão os dois sentiram que a situação já estava desagradável o suficiente, e calaram. Cilon então se deteve a observar com mais atenção o cubículo em que se encontravam, e constatou que era um lugar úmido, fétido, sem ventilação, e com uma única portinhola de altura menor do que o convencional.

daddy04Algum tempo depois uma fraca luz acendeu-se nas proximidades, iluminando a moldura da porta da cela.

Ouviram-se passos, e Cilon divisou Mário Sete Covas avultando-se na penumbra úmida do ambiente. Ele estava com o capuz na cabeça, e ficou de pé, braços cruzados, próximo à abertura. Cilon aproveitou para olhar com mais atenção para o homem, pois até então o medo o impedira de uma análise mais profunda.

Mário aparentava uns 50 ou 55 anos. Tinha os cabelos mais grisalhos que os de Cilon, era calvo e usava bigode, o que tornava sua aparência mais madura. Porém, ao contrário do bacharel, o matador não era gordo, e sim musculoso, talvez resultado de uma vida inteira de trabalho braçal. Sua voz era macia, talvez ficasse mais adequada a um padre do que a um assassino de aluguel. Seus braços fortes eram totalmente recobertos por pêlos negros, e o peito era todo forrado de longos e macios pêlos grisalhos. As pernas eram volumosas, ficavam tinindo dentro da calça jeans, e um volume apreciável se formava no meio delas, combinando com a bunda redonda, empinada e dura.

“Nossa, esse cara é muito bonito”, pensou Cilon, já se culpando por estar tendo este tipo de pensamento. Seus devaneios foram quebrados como uma bolha de sabão estourando no ar quando Mário pegou a mulher pelos cabelos arrastando-a para fora da cela. O coração do contador disparou ante a possibilidade de ver a mulher ser torturada. Mário voltou para a cela, deu uma rasteira em Cilon e fê-lo sair sob coices pelo acesso estreito.

“Cilon, sua bosta humana, faça alguma coisa! Esse cara vai nos matar!”, gritava a mulher.

Mário então tirou a camisa, jogando-a no rosto de Cilon. Este aproveitou para aspirar o cheiro de suor misturado a Rexona e sabão de côco, esfregando discretamente o tecido nos lábios. O algoz juntou a matrona do chão, amarrando-a pelos pulsos numa espécie de pau-de-arara. Pegou um chicote que por ali havia e começou a espancar a infeliz, até que a deixasse apenas de calcinha e sutiã. Cilon vendo a cena não foi capaz de conter uma nova ereção, tão intensa que seus testículos doíam espremidos na pele do escroto que se espichava para compensar a que faltava para acomodar toda a grossura de seu membro excitado.

Mário caminhou a passos lentos, cadenciados, rebolando seu traseiro másculo, até chegar onde estava o contratante dos seus serviços. “Ajoelha e tira minha calça, gordo de merda. Anda!”, ordenou. Cilon obedeceu nervoso, e desajeitadamente desafivelou o cinto, baixou o zíper e abriu o botão da calça jeans. Baixou a calça até os pés, supreendendo-se com o tamanho do membro do serviçal, o volume das bolas, e os pêlos que recobriam as coxas grossas. “Beija minhas botas, e depois tira elas pra tirar minhas calças” ordenou novamente Mário. Quando Cilon curvou-se para cumprir a ordem levou um golpe de chicote nas costas que o fez perder o fôlego. “E não grita!”, emendou o verdugo.

Tiradas as últimas vestes de Mário, o lombo de Cilon ardendo com um filete de sangue aflorando, a mulher perguntou entre soluços o que estava havendo e qual a razão daquilo tudo. “Isso está acontecendo porque vocês, ricos, não prestam”, disse Mário. Ela nem tentou argumentar sobre seu poder aquisitivo, sabia que a resposta do carrasco era tão falsa quanto a suposta riqueza do bacharel. “Em primeiro lugar, tu vai ver que tu não sabe humilhar este bocó”, disse ele forçando com o pé a cabeça de Cilon junto ao solo. “Em segundo lugar, tu vai aprender que uma mulher tem o dever de fazer o marido feliz, e nisso tu tá falhando, nega”.
“Humilhação é isto”, disse Sete Covas ajoelhado puxando os cabelos do contador para trás, e esfregando a glande no seu rosto. “Agora chupa”, ordenou já enfiando o pênis enorme e ainda flácido na boca de seu contratante. Cilon teve engulhos, mas apreciou tanto a visão de Mário invadindo sua boca quanto o ar de satisfação que o algoz ostentava.

“Humilhação é isto”, repetiu Mário, fazendo Cilon ficar de quatro com a bunda voltada para a mulher, e abrindo as nádegas e mostrando para ela a localização exata do esfíncter de seu marido. Um segundo depois e um tapa estalado deixou a marca de cinco dedos na bunda branca do bacharel.

À medida que Mário o humilhava, mais os sentimentos de Cilon se confundiam. No início ele sentiu nojo, quis sair dali a qualquer custo; em seguida a curiosidade foi mais forte; agora ele já estava até apreciando a situação, sem poder ignorar o fascínio que Mário exercia.

“Contigo eu não quero nada, sua gorda fedida”, dizia Mário, “só quero mesmo é saber desse rabo gordo, dessa boca macia desse burguês”. Disse isso e ergueu Cilon sobre os joelhos, ficando ambos com os rostos alinhados. Mário então envolveu-o em seus braços fortes, espremendo o peito fofo de Cilon contra o seu tórax musculoso, e deu um beijo em sua boca, como se tomando cuidado para não invadi-lo em excesso. Cilon quase perdeu os sentidos, tamanho foi o prazer que sentiu naquele instante. Sua ereção era incontrolável, e por mais que ele se sentisse envergonhado disso diante da esposa, a excitação falava muito mais alto.

O algoz tirou a mulher do pau-de-arara e a arrastou de volta para a cela. Abriu um armarinho que havia no fundo da sala e tirou um colchonete tamanho casal que pôs sobre o chão. Gentilmente segurou o rosto de Cilon com a mão esquerda, e com a direita desferiu-lhe um tapa. A chutes ele fez o contador deitar-se no colchãozinho improvisado, jogando-se em seguida para o seu lado.

“Agora, gordo, tu vai beijar e lamber meu corpo inteirinho”, ordenou Mário. Cilon meio desajeitado, com o corpo doendo de levar porrada, começou a cumprir a ordem. Enquanto beijava o corpo farto e peludo do torturador, ele ouvia xingamentos variados, sendo que os que mais o tocavam diziam respeito a covardia, fraqueza e medo. Ao chegar com sua boca na região púbica recebeu a ordem de pular e ir até os pés, e assim ele fez.

“Agora, burguês, lambe meus ovos e chupa meu caralho, que depois eu vou comer esse teu cu gordo”, vociferou Mário. “Não faça isso com meu marido, ele não merece esse sofrimento”, tentou argumentar a chorosa mulher, mas a única resposta que obteve foi uma bota jogada com força contra a cela em que ela estava presa. Cilon nada dizia. Aproximou a boca do pênis duro de Sete Covas, e com alguma dificuldade, asco até, pôs a glande na boca. “Engole todo ele, e não quero reclamação por ser grande”. O contador fez o que pôde, mas não conseguiu agasalhar na cavidade bucal aqueles mais de vinte centímetros de membro. Controlando para não ter engulhos pelo contato do pênis com a garganta ele começou um vaivém suave, que enlouquecia Sete Covas. “Puta que pariu, tu aprende rápido mesmo, viado!”, gemia ele. Cilon agora estava usando as mãos para ora massagear as coxas peludas de Mário, ora estimular as bolas, ora alisar os pêlos grisalhos que envolviam o falo gigantesco.

Sentindo que estava próximo de gozar, Mário interrompeu o felácio, colocando Cilon deitado com sua protuberante barriga para cima. Isso facultou que seus mamilos fossem devidamente sugados por Mário, que logo caiu de boca no pênis duro do bacharel. Não era tão grande quanto o de Sete Covas, mas era considerável, até por ser muito grosso. “Deve ser por isso que a gorda não te dá a buceta, teu pau é grosso demais, infeliz”. O escroto de Cilon ficava esticado, empurrando os testículos para dentro do abdome, mas ainda assim Mário lambia toda a sua extensão, subindo pelo corpo do pênis, até chegar na glande cor-de-rosa, que ele então engolia até senti-la na garganta.

Após alguns minutos naquele jogo, Mário pôs Cilon de bruços, e começou a beijar suas nádegas brancas. De vez em quando dava um tapinha ruidoso mas indolor. Até que separou as duas metades e enfiou a língua no orifício anal de Cilon, que a seu turno agora tinha certeza de que Mário falava sério quando prometia sodomizá-lo. “Relaxa senão não encaixa”, dizia Mário.

“Escuta, gorda asquerosa, agora vou comer o rabo gordo desse teu marido burguês!”

Mário encostou a glande no buraco melado de saliva, e de um só golpe alojou-a toda. Cilon gritava, pedia para parar, mas aquilo só fazia Mário ficar ainda mais excitado. Alguns minutos parado naquela posição fizeram os protestos diminuírem, e então Mário enfiou dez dos seus vinte centímetros. O contador gemia com os dentes trincados, e quando ele parou para tomar fôlego recebeu em si o restante do falo de Mário. “Tá sentindo meus pentelhos na tua bunda, porco gordo?”

Sete Covas estocava lentamente, tirava metade do pênis e enfiava novamente. Cilon já não sentia mais dor. Ao contrário, ele estava tomado por uma sensação de prazer e de paixão como nunca sentira antes. “Mário, me come… Estou apaixonado por você… Me fode…”, dizia ele. O algoz, admirado com o que ouvia, acabou não segurando o gozo, vindo a inundar de gala o reto do contador, que ao sentir o clímax do parceiro acabou se masturbando e gozando também.

Mário e Cilon se jogaram exaustos no colchonete, Cilon deitado sobre o peito peludo de Mário. Ele se aninhara nos braços do até então algoz, para poder falar-lhe ao pé do ouvido. Estava implorando que ele não matasse sua esposa, pois ele também nunca tinha sido um bom marido. Sete Covas então revelou que nunca tivera a intenção de matar ninguém, só queria dar um susto no casal. “Nem nunca imaginei que ia acabar trepando contigo, gordo”.

O dia já amanhecia quando Mário abriu a portinhola da cela para libertar a megera. “O gordo tem um troço pra te dizer, e tu escuta bem quieta”, foram suas palavras de cumprimento a ela.

“Olha…”, balbuciava Cilon, “eu não vou mais voltar pra casa contigo; pensei que esse cara fosse nos matar, ou só a ti; isso teria sido até ontem a melhor coisa da minha vida; mas agora a melhor coisa da minha vida é ele; você pode ficar morando na nossa casa com os nossos filhos, mas eu vou alugar um apartamento e morar com o Mário”.

A mulher ainda mais feia e desgrenhada do que o normal não acreditava no que ouvia, mas tampouco duvidava. Olhou para Mário, que a tudo assistia de braços cruzados com um cabo de machado ao seu lado, e entendeu que se as coisas não fossem como ele queria, poderia haver mais violência.

Poucas semanas depois do acontecido o filho mais jovem do casal conseguiu uma bolsa de estudos na Alemanha, e com algum esforço ajeitou para que o irmão também pudesse ir. A mãe identificou uma oportunidade de repensar melhor a vida, e acompanhou os filhos, deixando a casa para o contador e seu novo parceiro, Mário Luís, que transformara totalmente a vida outrora sem graça em algo colorido e quente.

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