Ficção

Estágio com Pablo

448bO que vou contar agora aconteceu há uns nove ou dez anos atrás. Eu estava trocando de profissão, e para aprender a nova estagiava em um laboratório fotográfico. Meu instrutor era especialista em revelação, ampliação e retoques de fotografias em preto e branco.

Pablo tinha, creio, uns 50 anos na época. Não demorou para que nos tornássemos amigos. Afinal, eu não poderia deixar de apreciar — muito — a companhia daquele homem grisalho, dono de um lindo olhar, de uma voz macia, de uma deliciosa barriguinha. Seu jeitinho paternal, conservador, ao mesmo tempo em que me fascinava, deixava bem claro que eu não teria a menor chance de, um dia, vir a ter alguma intimidade com ele.

Além disso, eu mesmo nunca tinha tido nenhuma experiência homossexual, e morria de medo de assumir o de que realmente gostava.

Íamos para o trabalho e voltávamos no mesmo ônibus, e eu sempre sentava ao lado dele. Furtivamente encostava minha coxa na dele, olhava para os pêlos do seu peito, por qualquer bobagem tocava seu corpo, sob o pretexto de chamar sua atenção.

“Ele nunca vai me notar”, pensei, “e mesmo que note, jamais vai aprovar meus sentimentos…”

Meu estágio estava por acabar, quando numa quinta-feira notei que havia algo diferente com ele. Estávamos na sala escura (embora não fosse total breu, pois quando se vai revelar filme preto e branco é possível ter uma luz vermelha fraquinha na câmara), quando percebi Pablito muito próximo de mim. Seus braços roçavam os meus, pois ele tinha de me mostrar como usar o material. E mais importante que isso: senti um volume rijo, quente, que saía de seu púbis e cutucava minha coxa.

Por um instante mágico pensei que ia morrer, pensei que ia esvair-me em suor. Pensei, ainda, que estava sonhando, pois aquele homem maravilhoso, a quem eu queria tão bem, em quem eu espelhava tudo de bom que havia em mim, aquele exemplo de virtude, não poderia estar interessado em ter intimidades comigo, o estagiário!

Fiquei muito abalado com aquilo tudo que nem falei mais com Pablito, nem fui trabalhar no dia seguinte, uma sexta-feira. Foi muito difícil de agüentar três dias consecutivos sem o homem por quem me apaixonara, mas tinha medo de estar enxergando chifre em cabeça de cavalo. Tinha medo de estar delirando, e de que no momento em que meu instrutor se apercebesse de meu interesse, passasse a me rejeitar.

Passeio o fim de semana inteiro me masturbando, lembrando do que eu imaginava tivesse sido o pênis duro de meu amigo em minha perna, lembrando de seu peito, de suas mãos, seus lábios. Lembrava, ainda, de cada detalhe do seu traseiro, de que eu não tirava o olho, tanto quanto podia.

dec07Na segunda-feira eu ainda tinha alguma dificuldade de relacionar-me com Pablito. Achei que ele estava percebendo alguma coisa, pois também estava um pouco mais distante do que eu sempre o notara. A despeito disso, sentir o seu perfume me fez sentir vivo outra vez, trouxe felicidade ao meu amargo coração, e tive mais uma vez esperança de que não fosse nenhuma bobagem minha.

Estava organizando uns filmes com o Sr. Luís (outro coroa muito querido e agradável, mas que não chegava nem aos pés da beleza de Pablo), e achei que não teria a chance de novamente estar na sala escura com o meu instrutor de ampliação em preto e branco. Mas Luís leu meus pensamentos e me mandou para a câmara escura com o objeto de meus desejos.

Ao estar novamente na companhia daquele homem, que trajava roupas simples e ao mesmo tempo perfeitas em seu corpo maduro, sentindo seu perfume, me deixou muito próximo à loucura. Tanto que num dado momento, quando estávamos os dois lado a lado, preparando o papel fotográfico, não resisti e comecei a alisar sua barriga. Precisava de uma desculpa para meu ato impensado, e recomendei a Pablito uma dieta. Esperava, na verdade, que ele nunca a fizesse, pois sua barriga era deliciosa, excitante, gostosa.

Abri sua camisa, e pude sentir os pêlos que ornavam aquela barriga deliciosa. Seu umbigo também me excitava, e mais louco do que estava no início, baixei ainda mais a mão, vindo a tocar seu pênis. Não estava duro como na quinta-feira (se é que aquilo realmente tinha acontecido), mas ainda assim era muito grosso, comprido, dava a impressão de ser pesado.

Tentei abrir o zíper de sua calça, mas a braguilha era fechada por botões. Isso me deixou totalmente excitado, e eu achava que nada mais poderia me surpreender naquele homem. Engano meu.

Enfiei a mão em sua calça, pois queria sentir o calor daquele membro, a maciez de seu escroto, e percebi que meu amado instrutor usava cuecas samba-canção!

Tudo era mágico naquele instante, e o ambiente parecia um sonho: silêncio absoluto, a iluminação fraca e avermelhada, o homem que eu amava platonicamente em minhas mãos, vestindo calça de botão e cueca samba-canção!

Tirei seu falo para fora da calça, bem como os testículos, e fiquei extasiado ante e visão que se expunha: um pênis enorme, grosso, cabeçudo, descansando sobre um carnudo, liso e cheiroso saco. Minha fantasia terminava ali, mas meu instinto de macho que gosta de macho dizia que eu devia ir além, e experimentar o prazer que só um homem proporciona a outro, pois poderia ser a minha última chance.

Meti a boca no pênis flácido do coroa, engoli até a garganta, brinquei com as bolas, alisei os pêlos pubianos. Preparei-me para o pior, que felizmente não veio: acreditava que Pablo iria me escorraçar, me pôr pra fora da sala, que eu seria mandado embora do estágio, e que nunca mais o veria.

Contudo, o que se sucedeu foi algo que eu realmente não imaginava pudesse acontecer: seu falo começou a crescer e a tomar espaço em minha boca. A meu turno, sentia o coração querendo saltar do peito, as mãos trêmulas, as pernas bamboleantes. Era a primeira vez que eu tinha um pênis na boca, mas achava que saberia o que fazer com ele, e segui meus instintos. Cegamente.

Chupei aquele homem, sentindo um prazer indisfarçável. Pablito, creio que inspirado pelo meu prazer, não demorou a gozar, enchendo-me a boca com seu sêmen. Era a primeira vez que aquilo me acontecia, e não pude deixar de sentir um certo nojo do líquido que ia em minha boca. Mas logo comecei a sentir o gosto acre da gala de meu macho, e tratei de engolir tudo aquilo. Brincava ainda com suas bolas, antes que ele novamente se vestisse.

Durante muitos anos fui apaixonado por Pablo, embora depois daquele felácio na câmara escura não tenhamos mais nos encontrado (no âmbito sexual). Fui para casa, naquele dia, e masturbei-me quanto pude, lembrando da sensação de ter a boca cheia de carne, e depois de leite, da firmeza de sua bunda em minhas mãos, dos seus gemidos surdos de prazer.

Não moramos mais na mesma cidade, e já tenho meu companheiro (maravilhoso) há uns cinco anos. Mas até hoje não pude deixar de amar meu instrutor de estágio, e juro que em breve vou dar um jeito de tê-lo novamente. E desta vez vai ser na minha cama, com todo o vagar, toda a atenção que ele e eu merecemos.

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