Ficção

O Blefe

daddy101Eduardo morava nas proximidades do Corpo de Bombeiros desde criança. Todos o conheciam na vizinhança, e o tinham na conta de bom moço, de exemplo de virtude, pois desde adolescente viu-se na condição de arrimo de família.

Além dos sofrimentos que uma situação destas naturalmente implicaria, como dificuldades financeiras, falta de estudo, uma mãe desequilibrada e alcoolista, irmãos pequenos para sustentar, ele ainda sofria uma dor quase inconfessável, a de ter preferência por homens. Mas não quaisquer homens, como os colegas de trabalho ou da escola. Eduardo gostava de homens maduros, grisalhos, barrigudos, calvos. Os traços da idade atraíam o jovem, que continha seus sentimentos no mais absoluto segredo.

Antero só tivera na vida um emprego. Aos 18 anos ingressara na Corporação, e orgulhava-se muito de ter salvado muitas vidas no mar, ter ajudado a conter incêndios terríveis, e principalmente de ter ido muito a escolas para fazer palestras e ajudar os professores em sala de aula. Ele dizia que só com educação seria possível tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Por ironia do destino, foi justamente numa dessas idas a estabelecimentos de ensino nas comunidades carentes que sua vida mudou para sempre. Durante uma aula de natação, para ajudar um menino a perder o medo da piscina, ele mergulhou, e só emergiu porque as crianças se assustaram com o excesso de tempo que ele permanecia submerso. Tivera um ataque cardíaco, aos 34 anos de idade, e por pouco não morrera numa piscina com um metro de profundidade.

Antero, contudo, não saberia viver longe do quartel. A contragosto acabou absorvendo algumas tarefas burocráticas, que não lhe agradavam. Depois de muitas tentativas, a solução que encontrou foi tornar-se uma espécie de “vigia” do quartel. Passava as noites em claro, atendendo ao telefone, registrando alguma ocorrência, enquanto os demais soldados dormiam, para serem despertados apenas em caso de emergência.

Quinze anos após o infeliz incidente na piscina infantil, Antero ainda conservava o porte atlético, mas a falta de atividade física fê-lo ganhar peso. Assim, em perfeita harmonia com seus braços gigantescos, o rosto anguloso ligeiramente marcado pela idade, as têmporas grisalhas, o bigode farto, o peito musculoso e forte, havia uma ligeira barriga que ele bem que tentava disfarçar mas — para deleite de Eduardo — não conseguia.

daddy11Era uma tarde de sexta-feira, véspera de feriado prolongado. A cidade estava vazia, e sem opções para quem não podia ou não queria deslocar-se para o litoral. Eduardo resolvera aproveitar a folga para ajeitar um pouco o jardim, varrer a calçada, e gastar um pouco de energia para à noite poder dormir mais tranqüilamente. Antero ia para o trabalho, e ao passar diante da casa do rapaz deteve-se um instante para conversar.

— Você é bem o que dizem mesmo, Eduardo. Nunca vi um rapaz da sua idade, bonito, cheio de vida, ficar em casa arrumando jardim em plena véspera de feriadão! É muita virtude para um rapaz só!

— Não, Seu Antero, não é virtude alguma, apenas estou cumprindo com meu dever. Caso contrário, daqui a dois dias eu teria de mandar chamar os bombeiros para en­contrar a porta da frente, no meio do matagal.

— Ô, menino, o que você vai fazer hoje à noite?

— Vou assistir um pouco de televisão e vou dormir — respondeu Eduardo com o olhar fixo no peito do bombeiro.

— Então tire um tempo, e vá jogar um carteado comigo ali no quartel, se não for pedir demais.

Eduardo não acreditava no que estava ouvindo. Sempre sonhara em passar horas a sós com Antero, mas jamais sonhara que um dia isso pudesse acontecer, e que o convite pudesse partir dele.

— Então, Eduardo, você vai? Por que essa cara de espanto?

— Claro, Seu Antero, eu vou sim! E pode deixar que eu levo um refrigerante gelado para regar nossa jogatina!

Despediram-se, e Eduardo ficou o quanto lhe foi possível admirando o passo do coroa que ganhava a calçada celeremente. Imaginava qual seria a sensação de passar a mão nas nádegas de Antero, quase sentindo nos dedos a firmeza de suas coxas, o calor de seu corpo.

Eduardo correu para casa, preparou uma bandeja de pastéis, tomou um banho, pegou um refrigerante gelado e foi para o quartel. Chegou por volta das 23h, e Antero já estava sozinho, sentado num banquinho no pátio, próximo ao escritório. A visão era, no julgamento de Eduardo, paradisíaca: aquele homenzarrão sentado, de pernas abertas, um imenso pacote entre as coxas grossas, camiseta regata folgada que permitia ver os pêlos do peito enfeitando magistralmente aquela escultura de músculos, e os braços fortes apoiados sobre os joelhos, numa expressão quase de de­salento.

Antero levou o jovem para uma salinha arejada nos fundos do quartel, onde havia uma mesa improvisada, já com um baralho à mão. Rapidamente recapitularam as regras do pôquer, embora não fosse necessário, mas Eduardo gostava daquela situação de ter Antero ensinando-lhe algo — nem que fosse algo já sabido, e tão fútil quanto jogar pôquer.

— Qual vai ser o valor da aposta, Eduardo? — perguntou Antero com o olhar firme.

— Desculpe, Seu Antero — tentou argumentar o rapaz — mas eu não gosto de jogar a dinheiro.

— Vai me fazer essa desfeita? Então pode ir embora agora!

— Calma, Seu Antero, vim aqui para lhe fazer companhia, e não para lhe ofender. O senhor deveria se dar conta disso antes de humilhar as pessoas.

— Desculpe, Eduardo, eu não queria te magoar… — disse Antero arrependido da brincadeira ao perceber que o jovem não a entendera. — É que se não jogar a dinheiro, pôquer não tem a menor graça…

daddy121Negociaram então o valor simbólico da aposta, e combinaram que só jogariam enquanto Eduardo dispusesse de uma pequena soma que havia reservado, então, para gastar naquela brincadeira. Mesmo sendo pouco, ele pretendia poder passar algumas horas na companhia de Antero até que o dinheiro acabasse.

Aquela parecia ser mesmo a noite de sorte de Eduardo. Pelo menos no pôquer. Foram poucas rodadas, e Eduardo havia limpado todo o dinheiro do parceiro. Para cada rodada ganha por Antero, Eduardo ganhava pelo menos umas três.

— Fiquei sem dinheiro, Eduardo. Mas quero recuperá-lo dignamente. Aposto minha carteira vazia, se eu ganhar você me devolve metade do dinheiro, para eu ter fôlego de recuperar o resto.

— Eduardo, aposto meus chinelos para recuperar a carteira, pelo menos.

— Eduardo, quanto vale minha camiseta? Com ela recupero meus pertences e meu dinheiro, se eu ganhar?

Aquela seria uma rodada tensa, pois a cabeça de Eduardo começava a dar mil voltas. Antero “casara” a camiseta junto com os demais objetos e dinheiro, deixando o torso nu à vista do rapaz, que jamais estivera tão próximo assim de seu objeto de desejo. Para sua felicidade, Antero perdeu.

— Eduardo, isso nunca me aconteceu antes! Só tenho mais o calção para apostar! Mas esse eu aposto caro, ele tem que valer tudo o que já perdi!

— O rapaz perdeu o fôlego. Só de imaginar que se ele aceitasse continuar jogando poderia vir a ter diante de si aquele corpanzil maduro nuzinho em pêlo, quase não conseguia segurar as cartas direito.

— Vale… — anuiu ele — mas e se o senhor perder?

— Eu não vou perder — disse Antero com a cara fechada.

Antero ergueu-se do banco em que estava, e passou os dedos pelo cós da sua última peça de roupa. Parecia estar provocando o rapaz. Foi baixando lentamente o calção, expondo primeiro uma mata de pentelhos que se misturava com os pêlos do peito que desciam além da barriga. À medida em que aquele pequeno pedaço de pano ia descendo em direção ao solo, mais centímetros do coroa eram expostos, exalando sensualidade.

O bombeiro então entregou o calção na mão de Eduardo. Ficou por longos instantes de pé, com o braço esticado, e o pênis flácido repousando sobre o escroto farto. Finalmente sentou-se.

— O seu também gruda assim, quando você senta pelado? — perguntou ele sem esperar pela resposta.

Deram as cartas.

— Rá! Agora eu recupero tudo! Só não dobro a aposta porque não tenho mais o que apostar! — riu-se Antero.

— Eu vou querer… duas cartas, Seu Antero!

— Então, rapaz, vou pagar para ver!

daddy131Eduardo por um instante deixou-se levar completamente pelo jogo. Ansiava ganhar, para saber o que Antero faria em seguida, mas a sorte parecia ter-lhe abandonado na última hora: ele detinha duas cartas 8, duas 9 e um valete. Dois pares eram muito pouco para vencer qualquer outro jogo.

— Eduardo, meu jogo é tão bom que eu aumento a aposta!

— Aumentar como, Seu Antero? O senhor não tem mais nada para apostar!

— Bem, eu tenho certeza de que não vou perder!

— Se tem tanta certeza, então eu faço um desafio — disse o rapaz.

— Peça o que quiser — respondeu o bombeiro cheio de confiança.

— Bem, o que eu sugiro, já que o senhor não tem mais nada para perder, e está tão confiante que vai ganhar — blefou Eduardo — é o seguinte: se eu ganhar, além de suas roupas e seu dinheiro eu ganho um boquete.

— Ora, mas o que você está pensando? — tentou protestar Antero ruborizado.

— Não precisa aceitar o desafio. Eu só queria ver até onde vai sua capacidade de blefar, Seu Antero.

— Eu não tenho como perder, está topada a proposta!

— Está valendo — disse Eduardo; — pode mostrar as cartas!

— Quem tem que mostrar é você, Eduardo!

— Antero, você foi o mão dessa rodada, quem mostra as cartas é você!

— Mostre essas cartas de uma vez, moleque!

— Está bem Seu Antero, desculpe…

Timidamente Eduardo abriu o par de oitos, fazendo um pouco de mistério antes de abrir o outro. Pôs as três cartas juntas, para que o bombeiro pensasse que ele tinha um full house.

— Puta que pariu! Caralho! Perdi de novo! — resmungou o bigodudo, jogando as cartas sobre a mesa sem, contudo, abrir o jogo. — Tira esse pau para fora que vou pagar minha dívida de jogo é agora. Feche a boca, Eduardo, e baixe as calças que vou chupar sua pica para não ficar te devendo nada!

Em um segundo Eduardo estava de pau duro, apesar do susto. Ficou de pé ao lado da mesa de jogo, baixou a bermuda e ficou esperando. Antero então lentamente foi em sua direção, pegando o membro do garoto com a mão. Massageou o falo rígido firme e lentamente umas duas vezes, e pôs a glande brilhosa na boca. Eduardo podia sentir a língua de Antero fazendo evoluções ao redor da chapeleta, pressionando a parte inferior do pênis. Seus lábios iam se abrindo aos poucos, para ir acomodando toda a espessura do pênis do jovem. Aos poucos Eduardo foi vendo seu cacete sumir, até o bigode grisalho de Antero tocar seu púbis.

— Eu não esperava tanta dedicação, Antero. Continue, por favor!

O coroa nada dizia. Apenas engolia o pinto de Eduardo até sentir na garganta os golpes da glande, e com a mão apertava os bagos do rapaz contra seu próprio queixo. De vez em quando passava as mãos nas coxas de Eduardo, nas nádegas, e soltava um gemido.

Eduardo estava a ponto de gozar na boca de Antero, quando resolveu blefar também.

— Antero, teu boquete está bom, mas não é bem assim que eu gosto… Levante-se, por favor, deixe eu mostrar como é que se faz — disse ele já puxando o bombeiro contra si.

Antero ficou de pé, e Eduardo então postou-se de joelhos à sua frente. Ao ver o enorme pênis de Antero, repousando sobre o saco macio e volumoso, sua boca salivava, como se estivesse a ponto de provar de um manjar divino.

Antes de pôr aquele mastro na boca, Eduardo o pegou com a mão, e ficou brincando com o prepúcio, fazendo a glande aparecer e sumir. Então enfiou tudo de uma vez, e sentiu a boca preenchida por aquele naco de carne e tesão. Sugou e apertou com a língua o pênis semi-flácido de Antero, mas apenas por poucos segundos. Não tardou ao volume daquele falo ser excessivo para caber na boca do jovem.

Eduardo chupava e lambia, e com a mão brincava nos ovos do coroa. Então começou a alisar suas coxas, nádegas, barriga, até chegar nos mamilos. Eduardo passava a mão nos pêlos do peito de Antero, mas deleitava-se mesmo era em sentir a pujança do membro maduro a que ele dava parazer demoradamente.

Eduardo então largou por um instante o caralho duro de Antero e subiu beijando sua barriga e peito, até chegar ao pescoço, que ao ser beijado arrancou um suspiro abafado, quase um grunhido, bem do fundo do peito do bombeiro. Abraçaram-se forte e trocaram um beijo. Foi um beijo sensual, em que as línguas queriam invadir uma o espaço da outra, os lábios não descolavam, os peitos permaneciam grudados, braços fortes enlaçando os corpos a esta altura suados e excitados.

— Nada diga, Eduardo — sussurrou Antero, ao perceber a intenção do jovem de dizer-lhe algo.

Por orientação de Antero, a dupla foi para uma espécie de quartinho que havia nos fundos do quartel. Não era amplo, mas era organizado e aconchegante. Antero terminou de despir o amigo, e jogaram-se na cama. Eduardo fez o parceiro virar de bruços, e começou um lento ritual de massagem, que começou na sola dos pés. Primeiro ele passava o peito em cada parte do corpo do bombeiro, depois apertava firmemente com as mãos, e concluía com um beijo, ou uma lambida, ou uma chupada. Fez assim por toda a extensão dos membros inferiores de Antero, detendo-se principalmente nas coxas. Alisou as nádegas do coroa por alguns instantes, e então “montou” sobre ele, sentando-se sobre sua bunda musculosa, e massageando, com ajuda do próprio peso, as costas de Antero, que apenas gemia.

Eduardo deitou-se sobre o corpo de Antero, sentindo-se o homem mais feliz do mundo. Pôs as pernas sobre as pernas do bombeiro, sobre os braços dele os seus próprios, as palmas de suas mãos sobre o dorso das mãos dele. Era como se ele quisesse ser apenas um com aquele homem maduro, e gostoso.

Ficaram naquela posição por alguns minutos, e então Antero tomou a iniciativa. Pôs Eduardo deitado com o pau duro apontando o teto, e jogou todo o peso sobre o jovem, sufocando-o num beijo molhado. Foi raspando o queixo, com a barba ligeiramente crescida, e áspera, pela pele do rapaz, que delirava de parazer. Abocanhou o falo ereto mais uma vez, e desta vez, enquanto chupava, massageava o esfíncter de Eduardo, suavemente.

O tesão era incontrolável, a qualquer instante os dois poderiam explodir em gozo. Antero então posicionou-se com a bunda sobre o rosto de Eduardo, de forma que seus testículos ficassem bem na altura da boca do rapaz, que não perdeu a chance e começou a lamber aquele troféu, ao mesmo tempo em que se masturbava. Antero começou um movimento de vaivém com a mão sobre o próprio pênis, e não tardou nada para que Eduardo estivesse encharcado de sêmen deles dois. Antero urrava tão alto enquanto gozava, que fez o rapaz temer que os demais soldados acabassem acordando.

A noite quente estava, àquela altura dos fatos, quase incandescente, e os dois amantes acabaram tomando banho na mangueira do jardim.

Embora Antero tivesse insistido para Eduardo passar o resto da noite ali com ele, o jovem preferiu ir para casa, pois caso houvesse um incidente qualquer, e um dos outros soldados os visse ali, ele não saberia como agir.

Ao passar pela mesinha de jogo, quando dirigia-se à porta de saída, Eduardo não resistiu e abriu o jogo que Antero deixara ali. Primeiro um ás, depois um rei, uma dama e um valete, e finalmente um dez. Todas de ouros. Em outras palavras, um royal straight flush…

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