Ficção

O Chapéu Panamá

— Que pouca vergonha — balbuciou Osvaldo com o nariz grudado na vidraça da janela da sala, observando o pátio do vizinho.

— Saia daí, homem, que mania de ficar cuidando da vida dos vizinhos!

— Não é a vida dos vizinhos, estou observando é aquele gavião filho da puta agredindo a filha do Ernesto. É como se fosse minha filha também, ou pelo menos minha sobrinha.

Osvaldo e Ernesto eram conhecidos desde a infância, mas foi mesmo no quartel que a amizade floresceu. Contrariando todas as possibilidades os dois serviram juntos no mesmo pelotão, dormiram quase sempre no mesmo alojamento, tiravam folgas quase sempre juntos, deram baixa no mesmo dia, e conheceram, namoraram e casaram quase sempre nas mesmas épocas. Ficaram um tempo afastados, mas logo que Osvaldo soube onde Ernesto morava tratou de mudar para a mesma cidade, e mais uma vez contrariando todas as probabilidades, comprou uma casa ao lado da casa do amigo.

Quem não gostava muito dessa amizade era Judite, a esposa de Osvaldo. Diferente de Ernesto e Clara, eles não tiveram filhos, e ela atribuía essa restrição de Osvaldo ao fato de que sem filhos seria muito mais fácil mudar novamente, caso o destino resolvesse fazer com que Ernesto e Clara, agora com um filho morando na Europa e uma filha em vésperas de vestibular, fossem embora para qualquer parte. Judite sentia ciúmes, mas com o tempo passou a admirar Clara, e tornaram-se grandes amigas. Incontáveis verões as duas ficaram em casa preparando quitutes para quaisquer festividades que inventassem, enquanto os dois saíam para ver feiras de automóveis, pescar, reformar o piso da cozinha de um deles ou, simplesmente, caminhar na praia por horas a fio.

— Ele vem toda terça e toda quinta. Fica de uma a duas horas, e vai embora. Não é visita esperada, porque não se acendem luzes, a não ser no quarto da Bianca. Amanhã mesmo vou acabar com essa patifaria, e vou contar ao meu amigo o que está acontecendo. Imagina se essa menina aparece grávida, é bem capaz que esse moleque vai assumir e casar!

Ele sempre dizia isso, mas nunca tinha coragem de expor a intimidade de sua “sobrinha”, ou de submeter seu melhor amigo, mais próximo que um irmão, a tamanho sofrimento. Imaginava que aos 55 anos de idade ninguém merecia passar por uma situação vexatória dessas.

E foi por pensar assim que ele decidiu que resolveria a situação ele mesmo. Esperou pela próxima visita do “gavião”, e esperou que Judite adormecesse. Calçou os chinelos, e de pijama mesmo esgueirou-se até o quintal do vizinho, pronto para passar um sermão nos dois jovens. Aproximou-se da casa e viu uma luz acesa tão fraca que parecia ser uma lanterna, ou um abajur de baixa potência.

— Estranho, — falou para si mesmo — eu podia jurar que esse era o quarto do Mano, e que o da Bianca era o outro…

daddy012Osvaldo então tirou os chinelos e deixou-os ante a porta da frente, que provavelmente fora deixada aberta para facultar ao rapaz acesso à casa. Caminhou silenciosamente até a porta encostada do quartinho, e constatou que suas suspeitas não eram infundadas: pela fresta da porta entreaberta ele podia ver o jovem, que aparentava ter em torno de 28 ou 30 anos, deitado nu no chão, encostado em um pufe, com uma mão alisando os próprios mamilos e com a outra masturbando um pênis enorme, com a glande rosada, de tão duro parecia brilhar.

— Pelo menos tem bom gosto a menina, o gavião é mesmo muito bonito. Bosta, preciso perder a mania de pensar em voz alta.

Parou próximo à porta, observando o olhar lascivo do rapaz, pensando em como poderia interromper aquela cena sem fazer parecer justo chamarem a polícia, e então ouviu que havia uma música tocando. Uma música sensual, moderna, cantada por um sujeito de voz rouca. Podia ouvir a letra, e entendeu que a menina estava fazendo um strip-tease para o namorado, seguindo de roteiro a letra da música.

“Baby take off your coat / Really slow.”

Instintivamente Osvaldo levou a mão nos genitais, e apertou com vontade o saco carnudo, e com a ponta do indicador e do polegar espremeu a glande contra o prepúcio, fazendo-o sentir uma fagulhada de excitação. Porém, logo voltou a seu foco.

“Baby take off your shoes / I’ll take your shoes.”

Neste verso o rapaz esticou-se para a frente, lançando-se aos pés da menina. Deitado de bruços, com as costas lisas e a bunda peluda, na mesma proporção das pernas torneadas, ele fez com que Osvaldo mais uma vez, porém agora em silêncio, lhe fizesse mais um elogio.

Quando o rapaz voltou à posição original, primeiro ficando de quatro com o traseiro bem arrebitado, e depois sentando sobre as pernas, trouxe consigo uma surpresa: os sapatos que ele trazia não eram femininos, e sim masculinos!

Osvaldo aproximou-se mais da porta, e então teve uma visão que jamais viria a esquecer.

Quem estava dançando e tirando a roupa diante daquele rapaz não era a filha, e sim o pai! Ernesto estava agora descalço, vestido com uma calça de linho bege, suspensórios colocados direto sobre o torso nu, um chapéu panamá, e um casaco da mesma cor da calça jogada no chão.

Osvaldo não conseguia crer no que estava vendo. Seu melhor amigo, aos 55 anos de idade, tinha a barriga redonda e dura ornada pelas duas tiras dos suspensórios, que mais acima marcavam duas avenidas na mata de pêlos que era seu peito.

“Baby take off your dress / Yes yes yes / You can leave your hat on / You can leave your hat on / You can leave your hat on.”

Ernesto dançava de um jeito muito sensual, sacudia as cadeiras, passava a mão entre as coxas, virava de costas, rebolava e dançava. Osvaldo não agüentou, e teve uma ereção. Seu pinto jamais estivera tão duro em toda a sua vida.

— Então é mesmo o quarto do Mano, eu não estava totalmente enganado — pensava Osvaldo.

A música continuava, parecia não ter fim.

daddy022“Go on over there / Turn on the light / No all the lights / Come back here / Stand on this chair / That’s right / Raise your arms up to the air / No shake ‘em.”

Então Ernesto tirou os suspensórios, e deixou que as calças caíssem a seus pés, exibindo um saco pequeno, com as bolas espremidas em seu interior, mas um cacete enorme, de pelo menos 19cm.

— O pau dele é maior, mas meu saco é mais gostoso — pensava Osvaldo já com a genitália toda para fora do pijama, por sobre o elástico. Seu amigo dançava diante daquele rapaz, segurando o chapéu ora soltando, de vez em quando saindo do seu campo de visão. Pareciam os três hipnotizados pela música e pela lascívia que pairava no ar.

Agora totalmente nu, exceto pelo chapéu, Ernesto se masturbava ao dançar. Com uma mão alisava o corpo, e com a outra empunhava o cacete duro como rocha. E faltava mão para envolver todo o diâmetro daquele instrumento.

O jovem agora estava mais próximo de Ernesto, como quem quisesse fazer um felácio no coroa. Mas ainda era um mero espectador, embora mais privilegiado que Osvaldo, que por duas vezes já tinha segurado o gozo. Porém, antes do final do refrão Ernesto tremeu-se todo, a verga ficou ainda mais grossa, e três fartos jatos de esperma cobriram o rosto do rapaz, que parecia estar nas nuvens com a cara cheia de gala.

Osvaldo também gozou, de pé, no corredor do lado de fora da porta do quarto que virara depósito. Teve presença de espírito para aparar o esperma na mão, mas não tinha certeza de não ter respingado no chão. Com inveja do rapaz, esfregou o próprio leite no rosto, e num lampejo de lucidez deixou a casa tão sorrateiro como quando chegara. Em casa foi direto ao banheiro, lavou o pinto, o rosto, bebeu um refrigerante e ligou o televisor para poder pensar no que havia presenciado.

— Ainda bem que não fiquei pra ver o rapaz acabar, eu teria sido flagrado.

No dia seguinte, bem cedo, Osvaldo telefonou para Ernesto, convidando-o para passear no shopping à tarde. Porém, não sairiam juntos, pois Osvaldo queria fazer umas compras antes.

— Ernesto, comprei um presente pra te dar, espero que você goste.

— Presente, Osvaldo? Não precisava, rapaz… Puxa, vida! Um CD! Como você adivinhou que eu gosto de Joe Cocker?

Nota do webmaster: segue o clipe da música como bônus, a pedido do autor.

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