Ficção

O Tímido

26Tomás tinha 22 anos de idade, e trabalhava como office-boy numa grande agência de cobrança. Não gostava muito de trabalhar na rua, mas devido à sua timidez ele sabia que não encontraria outro emprego com facilidade, e o dinheiro lhe era muito importante. Suas passagens pela sede da empresa se davam, basicamente, no início do dia e no final da tarde, o que lhe impedia até mesmo de conhecer melhor os próprios colegas.

Um dia suas preces foram atendidas: ao chegar no escritório de manhã para fazer o levantamento do que precisaria fazer, foi avisado pelo gerente da unidade que aquele seria seu último dia no serviço de rua, e a partir do próximo dia ele passaria a receber treinamento no trabalho do escritório.

Foi o mais longo dos dias de trabalho, e até esquecendo da timidez ele se despedia dos conhecidos dos bancos e repartições por onde habitualmente passava, anunciando a boa nova. E no dia seguinte lá estava ele radiante de alegria, mas pálido de nervosismo e medo do desconhecido.

Quem ficou para ensinar-lhe o trabalho era o colega que estava por aposentar-se, o Ernesto. Tomás não sabia se havia sido uma bênção receber o treinamento de Neto (era como chamavam o colega mais velho) ou se era uma provação a que a vida o fazia passar: Neto era um coroa maravilhoso aos olhos de Tomás, que também acreditava que ninguém desconfiasse de suas preferências sexuais, nem de sua virgindade.

Tomás não se incomodava tanto com gostar de homens, mas quando punha-se a pensar nesse assunto ficava muito indignado por gostar de “velhos” e gordos. Seria muito menos fácil do que ser heterossexual, mas ainda assim seria mais fácil gostar de jovens da sua idade. Mas, não, Tomás gostava justamente de homens do tipo de Neto: não que fosse baixinho, mas para alto tampouco servia; gordinho, com uma barriga redonda e dura, os “peitinhos” crescidos, visíveis, coxas grossas, braços fortes, cabelo que brotava da abertura da camisa, grisalho como o da cabeça; e o que enlouquecia o jovem Tomás: uma bunda grande, redonda, firme, que parecia deixar armada a calça social do coroa.

Inteligente como era, o rapaz não demorou a aprender todo o serviço, liberando Neto para tocar sua vida mais calmamente, tornando possível a ele longas pausas para ler o jornal, para tomar um café, estar ao telefone ou na Internet. Tomás observava esses novos hábitos do colega, e quando deu-se conta já sabia prever o que ele faria e quando. Entusiasmado com a idéia decidiu então aprender um pouco mais sobre o coroa, e acabou observando que todos os dias, exatamente 45 minutos após voltar do almoço, Neto ia ao banheiro, onde ficava por cerca de dez minutos, e então voltava para sua mesa para navegar na Internet. Ao aproximar-se a hora da ida de Neto ao banheiro, Tomás já ficava inquieto, excitado. E um dia então ele resolveu ir ao banheiro também.

masque02A empresa ocupava todo o andar do prédio, o que facultava a existência de amplos banheiros, e não era raro as pessoas darem uma escapada para o banheiro apenas para ficarem um pouco sossegadas. Mas no início da tarde era raro haver gente por lá, porque o aroma que impregnava o ar do banheiro não era necessariamente de gardênia. Exceto para Tomás, a quem aquele cheiro parecia eucalipto, ou incenso de jasmim, conhecido por suas propriedades afrodisíacas. Era um odor que fazia seu pau ficar duro como rocha, e seus pensamentos revirarem em sua mente. Mas para que ele experimentasse essas sensações, ele tinha de ter certeza de que eram as necessidades fisiológicas de um coroa quem produziam tal “perfume”.

Virou hábito: cada vez que Neto ia ao banheiro, poucos minutos depois Tomás ia também, e ora disfarçava entrando no reservado ao lado do de Neto, ora coincidia de os dois encontrarem-se na saída, e ele poder ocupar o mesmo que seu “muso” utilizara. Ele inalava aquele cheiro e imaginava o colega pelado, com aquela bunda enorme, redonda, que ele imaginava peluda, sendo acariciada, as nádegas separadas… e normalmente sua punheta terminava antes de imaginar o que fosse, tamanho o tesão que sentia.

Um dia após cumprimentar Neto na saída do banheiro, Tomás encontrou a tampa do vaso levantada, e alguns pentelhos ruivos sobre a louça branca. Tinha quase certeza de que eram de Neto, e foi justamente esse “quase” que o impediu de catar os pêlos e guardar como amuleto. Preparou então um plano que incluía limpar totalmente o vaso sanitário antes que Neto o utilizasse, e depois ir lá recolher as evidências. Fez a faxina prévia por mais de uma semana, mas não tinha a sorte de encontrar nada depois. E, o pior, os colegas já estava começando a perceber algo de estranho em sua obsessão, e ficavam fazendo brincadeiras com o funcionamento de seus intestinos, sugerindo o uso de fraldas, e ouras brincadeiras que o deixavam absolutamente constrangido.

h02Finalmente, aconteceu: Neto deixara quatro fios de pêlos pubianos para trás ao usar o banheiro depois do almoço, e Tomás conseguiu recolher todos eles. Com cuidado para não estragar nenhum ele os secou no papel higiênico, e os enrolou numa trouxinha de papel, que foi parar em sua carteira. Naquele dia não houve punheta, porque ele gastara tempo demais preparando seu novo objeto de fetiche. E Neto foi o único que pareceu perceber alguma coisa.

— O que houve, garoto, que hoje não saíste do banheiro com duas manchas de suor nos sovacos?

Com medo da reação dos colegas, ele passou a maneirar nas visitas ao banheiro depois da evacuação de Neto, mas todas as noites batia pelo menos uma punheta, trancafiado em seu quarto, admirando aqueles fios de pentelhos ruivos que ele havia tão engenhosamente obtido.

Chegou, enfim, o último dia de trabalho de Neto. Docinhos, salgadinhos, refrigerantes, balões, faixas, e um certo alívio em todos, exceto para Tomás. Quem mais perfumaria o banheiro para ele se divertir após o almoço? De quem ele roubaria pentelhos perdidos, como se fosse um perito colhendo evidências na cena do crime? Por mais que tentasse, não conseguia alegrar-se com a aposentadoria do colega.

— Está triste porque vou embora, Tomás?

— É, Neto, não sou muito bom de fazer amigos, mas a você me apeguei — disfarçou. Vou sentir sua falta, ainda mais que não sei direito o serviço.

— Então façamos o seguinte: hoje você sai daqui às 16h junto comigo, e discutimos melhor tua aptidão ou não para o trabalho.

Tomás concordou sem nem ter ouvido direito com que estava se comprometendo. Faltava pouco tempo para a hora marcada, mas pareceu uma eternidade, durante a qual ele pensou se deveria aceitar ou não, tentou imaginar como agiria se tivesse uma ereção, ou — pior — caso ele se descontrolasse e cometesse alguma loucura.

Neto levou o jovem a um bar para jogar sinuca e tomar umas cervejas.

— Desculpe, Neto, mas eu não bebo. Vou tomar um refrigerante.

— Bebe aí, rapaz! Uma cervejinha é bom para relaxar!

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Sem querer desapontar o objeto de seus desejos, Tomás bebeu o primeiro gole. O primeiro copo, a primeira lata, e acompanhando o coroa de perto, a primeira meia-dúzia de latinhas. Ele não conseguia mais coordenar os pensamentos, e com a língua frouxa nem se deu conta da resposta que dera a uma pergunta maliciosa de Neto.

— Com essa idade, cheio de leite, tu deve comer uma buceta por noite, não é mesmo?

— Não, Neto, eu sou virgem, nunca trepei na vida.

— Como é que é? — fingiu-se de espantado o coroa.

Envergonhado pelo tom jocoso na voz do amigo, Tomás, ficou mudo, queria sair correndo dali.

— Não te preocupa, Tomás. Eu sei que tu batia punheta sentindo o cheiro da minha cagada, quando eu saía do banheiro. Tu só deu uma maneirada quando eu deixei um chumaço de pentelho no vaso pra tu achar, mas não me contive e fiz uma observação.

— Neto, não é nada disso… eu… eu…

— Qual é, cara? Vai negar? O que tu ficava imaginando? Me diz aí, vai!

— Que estava comendo o seu cu, e que o cheiro era resultado do atrito da pele do meu pau nas paredes do teu reto.

Tomás tremia, sem saber de onde tirara coragem para ser tão honesto, a Neto gargalhava como só os ébrios conseguem fazer.

— Bota na minha conta! — gritou Ernesto com o dono do boteco. — E tu vem comigo, vamos pegar um táxi e te deixar em casa.

Saíram dali, entraram no primeiro táxi, e rumaram para um lugar que Tomás sabia que não era sua casa, mas devido ao nível alcoólico em que se encontrava também não conseguia identificar. Era Neto quem dava o trajeto, e o motorista apenas cumpria. Chegaram a um lugar no meio do nada, e a noite avisava que já iria cair.

— Me dá o número do teu celular e te manda. Quando a gente quiser voltar eu ligo.

Ficaram Tomás e Neto naquele lugar ermo, longe de casa, longe de tudo.

— Minha mãe deve estar preocupada, Neto, me deixa ligar pra ela.

— Que nada, depois tu liga. Primeiro tenho que te ensinar umas coisas.

— Que coisas?

— Vou te ensinar a não bater punheta farejando a cagada dos outros, moleque. — Neto recitou a última frase com uma gravidade que fez Tomás arrepender-se de ter ido àquele lugar terrível. — Agora te mexe, me acompanha que não vai ser aqui no meio dos mosquitos que tu vai aprender tua lição.

Andaram uns poucos metros, e uma entrada discreta no meio da vegetação, uma pequena passagem, dava acesso a um campo vasto, de grama aparada, pouco abaixo um laguinho.

— Ernesto, que lugar é esse?

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— Estamos no Country Club. Aqui é onde os ricos jogam golfe. Já fui caddie desses filhas da puta, conheço tudo aqui.

— Caddie?

— É, ignorante. Caddie é o nome que se dá àquele imbecil que fica carregando as merdas dos tacos pros ricos de bosta baterem naquela bolinha estúpida, visando com o menor número de tacadas enfiar a bolinha estúpida num buraco estúpido marcado com uma bandeira estúpida. Entendeu?

— Se você me faltar com o respeito mais uma vez vou ser obrigado a te quebrar a cara – retrucou Tomás, aproveitando da embriaguez para dizer o que tinha vontade. Ao mesmo tempo que estava apreciando a companhia de Neto, estava arrependido de ter se enfiado naquele lugar, e não queria ter de ser obrigado a nada.

Continuaram caminhando até que chegaram a uma pequena construção. Sob a ordem de Neto os dois entraram no quartinho úmido e antes que a luz pudesse ser acesa Tomás sentiu-se tomado nos braços do colega. Pensou estar prestes a morrer, tamanha a onda de calor e prazer, até então totalmente desconhecida para ele. Sentir o peito daquele homem maduro, inspirador de tantas punhetas, colado ao seu, era algo para que ele jamais poderia ter feito suficiente preparação. Seus pensamentos foram interrompidos quando Neto enfiou a mão direita nos cabelos do rapaz, enquanto a esquerda bem no meio das suas costas o comprimiam contra o peito forte. Um leve puxão de cabelo, apenas para mostrar que ele estava subjugado pelo seu macho.

— Me beija, Tomás! Me beija agora!

Tomás nunca beijara um homem antes, e esforçou-se para dar um beijo prazeroso em Neto. E no escuro mesmo, sem descolar seus lábios dos do parceiro, começou a desabotoar as camisas: a sua própria e a do coroa. Enfiou a mão naquele peito peludo, largo, pressionou os mamilos contra a polpa do polegar e do indicador de cada mão.

Despiram-se por completo, e Neto acendeu a luz.

Tomás quase não cria no que estava vendo. Neto era muito mais gostoso do que jamais poderia sonhar em suas punhetas solitárias no banheiro ou na sua cama de dormir, à noite. Tudo era proporcional e perfeito, principalmente sua barriga redonda e dura sem ser enorme, e o pinto grosso repousando sobre o saco volumoso, rodeado de pentelhos ruivos e macios. Não perdendo tempo, o jovem caiu de boca no pau do aposentado, fazendo com que em segundos aquele pinto flácido atingisse um ponto de pedra.

— Pra quem queria comer meu cu, tu tá mamando muito gostoso!

Neto conhecia mesmo o lugar onde estavam, e de algum esconderijo ele tirou dois colchonetes que seria o palco da putaria que planejava com Tomás. Emparelhou os colchonetes e jogou o rapaz sobre eles, e sobre o rapaz deixou cair todo seu peso, arrancando gemidos, sussuros e suspiros do jovem inexperiente. Neto beijou o pescoço de Tomás, sentindo a maciez da pele jovem, desceu pela linha da coluna lambendo as costas dele, até chegar na bunda.

— Bunda de jovem é uma delícia, sempre tão durinhas, tão lisinhas e macias…

Beijou as nádegas do parceiro, e virou-o em decúbito frontal. Beijou novamente os lábios do rapaz, mamou no peito magro, e foi em direção ao pinto duro. Não que fosse assim tão grande, mas para pôr todo o falo na boca Neto precisou resgatar toda sua experiência passada, para agüentar a glande na garganta sem ter vontade de vomitar.

— Neto, pára, eu vou… eu vou… ah… pára, por favor… eu vou… ah… ah… ahhhhh!

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Neto sorveu cada gota do sêmen jovem que se depositara em sua boca, e continuou chupando o pau duro, fazendo Tomás delirar e quase perder os sentidos, de tanto tesão e prazer.

Após alguns minutos de descanso Tomás estava novamente em ponto de bala (ah, a juventude!), fazendo um 69 desajeitado com o parceiro. Ficava sentindo o cheiro dos pentelhos, do saco, e das virilhas de Neto, alucinado de tesão. Decidiu que era hora de tomar o controle da situação e completar a iniciação em que se metera. Enfiou o dedo entre as nádegas do velho, para experimentar sua reação, e como esta foi positiva, Tomás decidiu que ia tentar comer o ex-chefe. Colocou-o de quatro, beijou a bunda grande e peluda, separou as nádegas com carinho e cheirou aquele cuzinho cor-de-rosa, ornado por uns poucos pêlos ruivos. Não acreditava que estivesse realmente de frente para a fonte de tanta inspiração para seu onanismo solitário. Quis sentir o gosto daquele cu, e caiu de língua, fazendo Neto tremer de tesão, e implorar para ser comido.

— Mas vê se bota camisinha, seu imbecil! Tu não sabe com quem eu já trepei nessa minha vida, nem eu sei se tu é virgem mesmo. Pega uma no bolso da minha calça. Me dá esse caralho aqui que eu vou vestir esse menino com a boca…

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Com alguma dificuldade, devido à falta de lubrificação adequada, Tomás enfiou o pinto duro no rabo do colega. Quando sentiu a bunda do coroa esfregando em seus pentelhos, descontrolou-se, e começou a bombar forte, falando palavrões de toda ordem, massageando com seu caralho duro a próstata do parceiro imóvel, totalmente entregue ao prazer.

— Vou encher teu cu de leite, Neto! Vou deixar teu cu cheio com minha porra!

Ouvindo tal anúncio, Neto punhetou seu pau grosso freneticamente, e ambos gozaram ao mesmo tempo, caindo cada um em um colchonete, exaustos, satisfeitos, realizados. Dormiram abraçados, no chão do quartinho, até o dia amanhecer, e saíram do Country Club pelo mesmo acesso pelo qual chegaram. Caminharam algumas centenas de metros até encontrarem um táxi, e inconscientes dos próprios odores corporais foram para suas casas.

— E então, garoto — perguntou Neto na despedida — foi como tu imaginava?

— Mais ou menos… Acho que minha expectativa era mais escatológica do que a realidade. Mas não tenho nada a reclamar, não.

— Da próxima vez eu te ensino o real significado de escatologia, se tu tiver culhão para agüentar.

— OK! Combinado!

“Combinado”, pensou Neto, “é um pau de rapazinho enfiado no meu cu; o resto é besteira”.

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