O Urso e o Coroa

Meu nome é Alberto, sou um coroa de 55 anos de idade, 1,78m de altura e 102kg. Tenho o peito forte, assim como o resto do corpo, fruto de ter sido atleta no passado, recoberto de pêlos já grisalhos, da mesma cor dos cabelos e do bigode que cultivo com cuidado. Fui casado por mais de 30 anos, mas por uma fatalidade acabei encontrando a viuvez.

Até três anos atrás, pouco depois da morte de minha esposa, eu tinha uma conduta essencialmente heterossexual, e nunca sequer passara por minha cabeça a possibilidade de ter encontros de natureza sexual com outro macho.

Contudo, tomado por uma grande curiosidade em termos de sexo, acabei percebendo que o universo homossexual era bastante amplo. Lia diariamente no jornal anúncios de acompanhantes masculinos oferecendo seus préstimos a homens solitários, ouvia falar de saunas, de salas de exibição de vídeos eróticos gays, via revistas sobre o tema nas bancas. E a curiosidade aumentava a cada dia. Tanto quanto aumentava a sensação de culpa por estar fazendo uma incursão num terreno tão proibido quanto o homossexualismo.

Não que as restrições da igreja, por exemplo, ou da própria sociedade, me incomodassem, mas minha natureza de macho, pai de família (tenho quatro filhos), chefe de empresas, isso tudo me fazia crer que ter intimidades com outro homem não fosse um comportamento adequado a mim.

Eis que encontrei coragem no desejo e resolvi ir, pela primeira vez, a um ambiente propício ao sexo entre homens. Mas a coragem foi apenas para ir, pois não fui capaz de entrar no recinto dessa primeira vez: fiquei com o carro estacionado em frente ao prédio por algumas horas, apenas observando quem entrava e saía, até convencer-me de que aqueles senhores, mais ou menos jovens, sobriamente vestidos, não poderiam estar pondo em risco suas reputações e sua autoridade junto às famílias. Mas já era tarde, e achei melhor volta para casa.

Na outra semana já fui mais decidido, e então estreiei no meio homossexual. Não sei se foi por eu ser tão atraente quanto diziam, ou por ser apenas “carne nova”, acabei fazendo um certo sucesso entre aqueles homens todos, e constrangido optei por ir embora sem experimentar os prazeres que eu imaginava pudesse sentir ao estar sozinho, nu, pleno de excitação, com outro macho igual a mim.

Por conta dessas preocupações (tolas) achei que seria melhor eu experimentar o sexo com outro macho pagando pelos serviços de um profissional. Crasso engano, mas só vim a saber disso mais tarde. Fui a uma sauna que oferecia serviços de acompanhantes, e deixei que pela primeira vez entrasse algo em meu ânus. Comi o rapaz também, mas nem cheguei a gozar plenamente porque sentia que ainda não era isso o que eu procurava.

Mantive uma certa regularidade de visitas às saunas, muitas vezes, a maioria, apenas para observar o vaivém dos caras meio doidos atrás de um cacete ou de uma bunda que viam. Cansei de receber propostas e cantadas, e talvez pela fama de “difícil” que eu estava angariando, cheguei até mesmo a ganhar bilhetinhos das mãos do atendente, assinados por freqüentadores mais tímidos, receosos de uma negativa minha.

Nada disso me satisfazia. Não era isso o que eu procurava. E eu pensava que nesse meio poderia encontrar alguém que pudesse ser meu parceiro no sexo, e ainda oferecer mais do que uma trepada. Eu via muitas duplas que se afinavam perfeitamente, e sabia, intimamente, que uma relação assim seria muito gratificante.

Dentro desse espírito de curiosidade, acabei por conhecer os famosos “chats”, ou salas de bate-papo. Eu queria saber o que falavam entre si homens que gostam de homens. Acabei fazendo algumas amizades, diverti-me muito com algumas bichinhas hilárias que povoam estes espaços, decepcionei-me com algumas atitudes, mas, ainda, não era isso o que eu procurava.

Uma noite, eu já estava quase saindo da Internet para ir dormir, quando entrou na sala de bate-papo um sujeito usando o sugestivo apelido de “MachoQuerCoroa”. Pensei que poderia ser uma daquelas barbies de academia querendo um homem de verdade para foder-lhe, como pensei que poderia, sim, tratar-se de um homem igual a mim, buscando o mesmo que eu: uma parceria. Arrisquei e chamei-o para conversar.

Eu, que já estava para ir dormir, acabei ficando na frente do computador até as oito da manhã do dia seguinte. O papo com aquele sujeito fluía de tal maneira que não pude perceber o tempo passar. Muito pouco falamos de sexo, pois meu novo amigo não puxava tais assuntos, muito menos eu. Falamos de vida, de sentimentos, de trabalho, de tudo, enfim. Ao final, propus que disséssmos nossos nomes, já que estávamos conversando havia horas e não tocáramos nesse detalhe. Ele me disse seu nome, e eu disse um nome falso, crente que assim ele agia também. Trocamos os endereços de e-mail, e ele me deu um endereço que parecia ser o oficial, e não aquele que todos têm em servidores gratuitos, para garantir anonimato.

Assim, ficamos por cerca de três semanas trocando correspondência. A cada e-mail seu que recebia eu me envolvia emocionalmente, de um jeito novo, diferente, como jamais havia experimentado. Não sabia no que ia dar essa amizade, mas fosse o que fosse, eu já estava no lucro havia muito tempo.

Meu correspondente, a seu turno, mostrava ser um homem dotado de uma grande capacidade de amar, habilidoso com as palavras, de forma que cada e-mail seu era uma surpresa. Não conseguia eu crer que um rapaz de 29 anos pudesse expressar-se daquela maneira, que pudesse envolver um sujeito maduro e vivido como eu.

Depois de três semanas de correspondência diária, às vezes várias mensagens no mesmo dia, é claro que eu já havia feito uma descrição de minha aparência, e ele da sua, mas não havíamos falado de sexo. E isso parecia muito bom. Bom demais para ser verdade, o que me fazia ter dúvidas como: “não será ele uma bichinha?”, “não será um aproveitador tentando tirar vantagem?”, “será que ele realmente faz idéia de quem sou?”.

Já não dava mais para segurar a vontade de conhecê-lo pessoalmente, então pedi que enviasse uma foto. Fui prontamente atendido, não com uma mas com seis fotografias, que confirmaram a beleza que eu identificava na maneira de o rapaz expressar-se. Com a confiança então adquirida decidi fazer um contato telefônico para confirmar a existência ou não de trejeitos. Aproveitei, então, para dizer-lhe meu verdadeiro nome, e confirmei que ele nunca mentira para mim, nem mesmo em nossa primeira conversa no “chat”.

Marcamos um encontro, para a quarta-feira seguinte. “Só para tomar um cafezinho”. E parecia que esse dia não vinha nunca. O desejo de estar com ele era insuportável, precisava saciá-lo. Ao mesmo tempo, temia por sua reação, pois como eu não tinha uma foto para retribuir, ele teve de contentar-se em ouvir minha voz e imaginar minha aparência.

O dia chegou, e parecia que tudo dava errado. Parecia que não daria para cumprir o horário combinado, que não seria possível encontrar aquele homem que me deixara envolvido a ponto de não ter ido mais nenhuma vez à sauna ou a algum outro lugar de encontros sexuais. Envolvido a ponto de pensar nele todos os dias, a todos os instantes, a ponto de ficar imaginando quais seriam suas reações se estivesse ele vivendo cada um dos meus momentos.

Com uma hora de atraso, e o coração que parecia querer saltar para fora do peito, toquei o interfone, e quase sem conseguir falar disse: “é o Alberto”. Alguns segundos decorreram, mas parecia uma eternidade. Pensei até em voltar para o carro, desistir de tudo, pois era muita loucura. Felizmente fui surpreendido, em meio a esses pensamentos absurdos, pela figura sorridente e totalmente feliz de meu até então correspondente.

Muito educado, ele não deixou de abraçar-me formalmente e convidar-me a subir para o apartamento, para tomarmos o cafezinho que combináramos. Talvez o abraço não tenha durado mais de um ou dois segundos, mas para mim (e para ele, soube depois) fôra de uma intensidade jamais experimentada antes. Senti eletricidade em meu corpo, senti a cabeça girar ao aspirar seu perfume, as pernas frouxas ao sentir seu peito colado ao meu, e acima de tudo senti uma grande satisfação por ser ele um macho tanto quanto eu, dissipando assim qualquer sombra dos receios de que falei acima.

No elevador não pude conter meus impulsos, e fui ao encontro dele, beijando-o brevemente na boca. Temia que fôssemos flagrados por algum vizinho, mas não tinha mais a menor condição de resistir ao desejo. Meu anfitrião também parecia estar desejoso disso, pois a maneira como retribuiu o beijo, e o abraço especialmente apertado demonstravam grande aprovação.

Chegamos ao apartamento, e embora fosse uma tarde gelada do inverno de Porto Alegre, não pudemos manter-nos vestidos. Embora eu quisesse ser menos ostensivo, o desejo falou muito alto e fui tirando as roupas. As minhas e as dele.

O homem era lindo, um ursão com um sorriso, uma simpatia e um volume físico invejáveis. Com dificuldades por estar com as mãos trêmulas, e por estar meu “amigo” também me despindo, desabotoei sua camisa e vislumbrei um peito amplo, bem formado, sem ser daquelas coisas “malhadas”, coberto de pêlos negros e macios, combinando com o azul de seus olhos. O cheiro que exalava era excitante, agradável, de macho.

Tiramos as nossas camisas e calças, e então encontrei nele uma bunda carnuda, coxas grossas e fortes, e pelo volume na cueca imaginava que deveria ter um pau igualmente generoso. Tocamo-nos ainda meio tímidos, enfiamos as mãos nas cuecas alheias, e trocamos um longo e carinhoso beijo.

Acabamos em sua cama, ainda vestidos com as cuecas, pois nossa proposta era, unicamente, de tomarmos um cafezinho. Não estávamos preparados, pelo menos oficialmente, para transar.

A cada instante que passava o desejo aumentava. E eu me sentia mais envolvido por aquele rapaz. Não acreditava no que estava acontecendo, era muito prazeroso, totalmente diferente de minhas experiências pregressas. Eu podia sentir a entrega, o carinho com que ele tocava cada milímetro de minha pele, com que beijava os pêlos do meu peito, alisava minha barriga igualmente peluda, apertava meus braços e pernas fortes. Eu tinha certeza, naquele momento, de que ele também estava apaixonado por mim.

Ficamos trocando carícias, beijos, beijos de língua, beijos nos olhos, mordidas nas orelhas, na nuca, nas costas, prazer de todas as formas, por algumas horas. Não saberia precisar o quanto, pois perdi totalmente a noção do tempo. Então, tomei a iniciativa de tirar a última peça de roupa que cobria o seu corpo. Pensei em tirar a minha também, mas ele o fez, e à medida que se expunham meu cacete e meus ovos ele os foi colocando gentilmente na boca, fazendo-me sentir nas nuvens, era como se não houvesse chão sob nós.

Toquei seu cacete duro como pedra, passei a mão em seus ovos, e o dedo suavemente em seu cuzinho. Meu ursão contraiu-se todo num espasmo de prazer, e então retribuí a chupada que ele fizera instantes antes. Segurei o cacete com a mão esquerda, arregaçando-lhe o prepúcio, e com a direita segurava seu saco. Botei o que pude do caralho na boca, e puxava-lhe o couro do saco sem apertar as bolas. Mamei desajeitadamente, creio, por estar nervoso, por alguns minutos, até que ele novamente tomou controle da situação. Colocou-me de barriga para cima, e após beijar todo meu corpo, esfregou seu cacete em mim, nos braços, no rosto, no peito, em meu pau, deitou sobre mim, seu caralho colado ao meu, e como se deslizasse sobre meu corpo levou a boca até meu pau.

Chupou-me a vara dura como eu jamais pensei que pudesse um dia ser chupado, e, sacana, ficou passando o dedo em minhas nádegas, procurando por meu cu. Não sei como foi, só sei que num único movimento ele me pôs de bruços e com as mãos afastou uma nádega da outra. Eu já totalmente entregue não podia sequer pensar em nada, era todo sensação. E ele então enfiou sua língua áspera e úmida em minhas preguinhas. Enfiei a cara no travesseiro para que meu urro de prazer e tesão não se fizesse ouvir na cidade toda.

Eu não sabia mais o que esperar daquele encontro, o êxtase, a excitação, o desejo, tudo era tão intenso que eu não mais me preocupava se estava sendo o macho da situação ou não, pois ele me deixava totalmente à vontade. Como disse Roberto Carlos em Cavalgada: “sem me importar se nessa hora sou dominado ou se domino, se vou sentir como um gigante ou nada mais do que um menino”.

Não pedi porque não conseguia coordenar o verbo, mas desejei muito ser possuído por aquele ursão macho e carinhoso. Ele, naturalmente, percebeu meu desejo e então foi lenta e carinhosamente aproximando a glande de meu orifício anal, que estava lambusado por sua saliva. “Posso?”, perguntou-me ele, ao que respondi apenas com um “sim” sussurrado, mas que era o mais alto que eu podia falar naquele instante.

Senti então a invasão consentida inciar. Habilidoso, ele ia ajeitando a pica a cada milímetro que conquistava de meu reto. Perguntava a todo instante se podia continuar, se não estava machucando. E não havia como ser desconfortável, pois embora as dimensões avantajadas de seu membro, as horas anteriores de preparação foram providenciais para aquele instante.

Não demorou muito e senti suas bolas batendo em minha bunda peluda, e não conseguia acreditar que eu estava com aquela verga toda dentro de mim. Sem dúvida, era o pau mais grosso que já havia me penetrado, e o fizera de tal maneira que eu não sentia o mínimo de dor, apenas tesão e prazer. Fiz meu ursão delirar ao apertar seu cacete com o esfíncter, pois eu realmente desejava cortar aquele pau e mantê-lo dentro de mim para sempre, se fosse isso possível.

Ele me fodia cadenciadamente, sempre carinhoso e preocupado com o meu prazer. Eu estava totalmente entregue. Então senti sua mão deslizando em direção ao meu cacete, que estava encharcado de pré-gozo. Achei que ia perder os sentidos de tanto tesão quando ele começou a punhetar-me lenta e firmemente, sem parar por um instante sequer de bombar em meu cu.

Eu rebolava no cacete daquele macho, igual a mim, que fodia com maestria, e punhetava meu cacete. Percebi que ele acelerou o ritmo das estocadas, estava para gozar. Não me contive, e vi que o meu orgasmo final estava próximo. Orgasmo final, pois aquela trepada de uma tarde inteira era por si só um êxtase completo. Ele fodia com mais força, e punhetava também mais rápido. Ouvi seu gemido de prazer, dizendo claramente “eu te amo, Alberto”, e não consegui segurar, vindo a ejacular fartamente sobre o lençol. Podia sentir sua pica latejando e golfando porra em meu reto, ao mesmo tempo em que meu cacete liberava meu próprio sêmen.

Caímos um ao lado do outro e nos abraçamos. Exaustos pela intensa foda, satisfeitos, e certos de que estávamos realmente apaixonados um pelo outro, ficamos falando sobre nós por mais algum tempo. O clima só foi quebrado quando o relógio marcou 22h. Havíamos ficado por mais de seis horas nos curtindo, mergulhados em intenso prazer!

Passados dez meses desde esse dia, estamos cada vez mais apaixonados, cada vez mais parceiros. Tenho a certeza de que encontrei o que procurava, e que sou o homem que meu ursão queria. A cada encontro reciclamos nossos sentimentos, nossos desejos, e a confiança que apenas um macho de verdade pode passar a outro.

Aliás, ele ainda está devendo o cafezinho daquela tarde… Acho que vou cobrar agora!