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Posts Tagged ‘alfredo’

O Italiano

March 12th, 2009
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035__image_g3— Acchille, com dois C, H e dois L. Pronuncia Aquile. Não tem S no final.

O ano era 1996, e eu estava instalando um software que havia projetado, em um cliente de teste. Era para controle de hotéis e pousadas, e para entender como meu cliente trabalhava acabei ficando por alguns minutos no balcão, registrando as operações de check-in dos hóspedes. Sorte minha.

Acchille era descendente direto de italianos, mas parecia mais germânico: loiro, calvo, barba grisalha bem aparada, sobrancelhas espessas, rosto rosado; pela abertura da camisa eu podia ver seu peito coberto de pêlos loiros e macios; tinha braços que pareciam umas toras de tão fortes, combinando graciosamente com sua barriga saliente; e tudo isso proporcional com bunda e pernas, claro.

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Estranho Prazer

March 12th, 2009
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daddycopHá quinze anos eu saía de uma péssima temporada de dois anos servindo no Exército. Eu odiava aquilo tudo, principalmente pela disciplina hipócrita que era imposta, e também pelas privações a que submetiam os recrutas e soldados. Sem falar, claro, nas humilhações. Estas eram o pior preço que se pagava por ser brasileiro vivendo a melhor fase da vida confinado a um antro de mentira e prepotência. Claro que há quem goste, e longe de mim fazer qualquer julgamento; apenas quero manter distância até mesmo das recordações daquela época.

Como tudo na vida é relativo, a melhor lembrança daquela fase no início da minha terceira década de vida também diz respeito às Forças Armadas: o dia da baixa. Senti-me o homem mais feliz do mundo, o mais livre, sentia-me forte, eufórico, como imagino ficaria o King Kong se cheirasse algum pozinho do diabo.

Meu primeiro emprego depois do exército foi um remendo até encontrar algo na minha área (Eletrônica, na época): encarei um estágio no extinto Banco Meridional. E foi lá que começou uma história que só se completaria uma década e meia depois.

Na agência em que eu trabalhava havia muitos funcionários e estagiários; além disso havia as empresas terceirizadas, que cuidavam da segurança e da zeladoria (limpeza) do prédio. Um dos vigias era o Alceu, na época com uns 37 anos, cerca de 1,65m e uns 70kg. Ostentava um bigode bem cuidado, preto, combinando com a cor de seus olhos, que contrastavam com a brancura de sua pele. Cabelo ele tinha, mas estava começando a rarear, o que se percebia com mais ênfase devido às sobrancelhas grossas que ornavam o conjunto, cujo ponto alto, não desmerecendo nenhum outro, eram seus lábios. Não gosto de homens de lábios grossos. Digo, prefiro homens de lábios finos, são mais gostosos de beijar, e dão um ar mais másculo. Mas, naquele tempo, eu não sabia que diferença tinha beijar qualquer tipo de homem.

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O Sequestro

March 11th, 2009
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freundinLogo no início de minha carreira trabalhei em uma empresa de importação e exportação que se caracterizava, principalmente, pela rigidez com que se tratavam todas as relações comerciais e pessoais relacionadas aos negócios. Isso era reflexo, naturalmente, do seu diretor, filho do fundador da empresa, o Dr. Vilmar.

Todos gostavam dele, mas de certa forma também o temiam. Ele não admitia erros, e preferia pagar qualquer preço do que manter um colaborador que tivesse, algum dia, errado em algum dos procedimentos. Da mesma forma, não admitia que os clientes reclamassem de um funcionário da empresa. Se algo assim acontecesse, e chegasse a seus ouvidos, era demissão na certa. Havia vários casos conhecidos na empresa de ex-funcionários que além de terem recebido todas as verbas rescisórias referentes a uma demissão por justa causa, ainda haviam ficado alguns meses recebendo salário mesmo sem trabalhar, apenas para não pisarem mais na firma.

A meu turno, levei alguns meses até conhecer pessoalmente o Dr. Vilmar. Devido à natureza não tão nobre de meu trabalho, e ao horário diferenciado por causa da faculdade, as chances de nós nos encontrarmos eram reduzidas.

Da primeira vez em que eu o vi as circunstâncias não eram propriamente favoráveis para mim. O telefone tocara, e eu atendi como de costume: “Expedição, Alfredo”. Foi um erro. Banal para qualquer pessoa, terrível para mim, devido às circunstâncias, e para o Dr. Vilmar, devido a seu temperamento. Na verdade, era ele telefonando do orelhão em frente à empresa para fazer “benchmark” da qualidade do atendimento telefônico. “Rapaz, no seu treinamento não lhe disseram que toques longos no ramal indicam uma ligação oriunda de uma linha externa, e que toques curtos indicam uma ligação oriunda de ramal? E por que você não atendeu o telefone com o cumprimento adequado? Aguardo o senhor em minha sala dentro de quinze minutos, e sem atrasos, bem entendido?”

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A Mudança

March 10th, 2009
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picture_012Tudo acertado para minha mudança: um novo apartamento, maior (já não agüentava mais sentir-me um espermatozóide: o apartamento era um ovo, o condomínio um saco, os vizinhos uns pentelhos, etc.). Precisava apenas encontrar alguém que fizesse o frete, e se possível que cuidasse de desmontar e remontar meus poucos móveis.

Pesquisei entre vários profissionais, com preços realmente variando muito, mas acabei optando pelo Seu Dono (depois soube que seu nome era Donatelo, mas ele se sentia constrangido ao ser chamado assim). Era um coroa de uns 48 anos, braços fortes, barriguinha, calvo, olhos azuis, pêlos loiros cobrindo os braços e peito, coxudo, bunda redonda e firme. Sem dúvida alguma optei por ele devido a sua aparência.

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Professor de História

March 10th, 2009
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chuck-003Depois de muitos anos afastado dos estudos decidi que era hora de voltar a estudar. Ter o terceiro grau passara a ser algo extremamente importante, à medida que eu saía da casa dos vinte para entrar na dos trinta. Por uma questão de gosto pessoal escolhi o curso de Letras, pois queria divertir-me enquanto estivesse estudando, e não apenas cumprir com mais uma obrigação chata.

Tudo estaria ótimo, não fosse a quase total ausência de homens no curso. Só mulheres nas salas de aulas. Por coincidência no primeiro semestre, na cadeira de Sintaxe, eu ainda encontrara um ex-colega de trabalho, já cinqüentão, por quem desde meu primeiro emprego nutria um certo tesão.

— É foda, depois de velho ter de voltar a estudar… Mas é isso ou demissão! — queixava-se ele.

O semestre passou, e mais outro, e mais outro. De fato, as meninas do curso gostavam muito de mim, professores também. Tudo muito bom, exceto a falta de uns coroas para, no mínimo, dar umas olhadas.

Sempre que podia ia mais cedo para a faculdade, e dava uma perambulada básica pelos banheiros. Uma vez vi um coroa lindo, que depois soube ser aluno de Engenharia (colega de meu irmão) mijando, com o cacete e as bolas totalmente pra fora das calças. Lamentei não ter uma câmera pra fotografar aquele monumento.

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