A Festa da Empresa
Tem certas coisas que realmente me deixam de saco muito cheio, mas nada como essa época de final de ano, natal, ano-novo, a hipocrisia institucionalizada. Não existe, tampouco, nada pior que as tais trocas de presente de “amigo oculto”, que consegue ser ainda pior quando dou o azar de sortear ou ser sorteado por alguém que não faço a menor idéia de quem seja.
Não foi quase nada diferente esse ano que passou. Houve um único detalhe que salvou a festa de confraternização, que foi mais “especial” este ano porque também era a inauguração da nova sede da empresa. Estamos saindo de uma casa apertada para as quase quarenta pessoas trabalharem, e indo para um prédio esplêndido, com cinco andares e espaço de sobra. A festa foi no prédio novo.
Estávamos todos por lá, 90% do pessoal eram mulheres, algumas com maridos, namorados, e havia um único coroa, que é o chefe da contabilidade. Seu Geraldo tem 65 anos, baixinho, não serve pra gordo, mas pra magro tampouco. Tem olhos verdes, cabelos grisalhos, um jeitinho de falar que cativa, e está sempre muito só. Talvez porque a idade média do pessoal da empresa seja apenas 22 anos, e ele se sinta deslocado, talvez por timidez, ou por qualquer outro motivo.
Lembro que da primeira vez em que nós nos vimos eu fiquei cheio de tesão por ele, e se a empresa aceitou minha proposta para trabalhar com eles, foi por causa da influência de Seu Geraldo. Ele me queria por perto, por alguma razão.
A festa estava chata, e tendia a piorar, porque as meninas resolveram cantar no “videokê”. Se gostam tanto de cantar, poderiam pelo menos aprender, não é mesmo? Dei uma olhada sem esperanças ao redor, e vi Seu Geraldo sentado de pernas abertas numa cadeira, num canto, uma carinha triste. Ele vestia uma calça social azul, que deixava bem desenhadas suas bolas, e eu cria poder identificar a cabeça da pica por sob o tecido. Trajava também uma camisa azul mais escura, por cuja abertura era possível perceber seus poucos pêlos do peito.
Saí de onde estava e fui sentar ao seu lado.
— Que carinha triste é essa, Seu Geraldo?
— Não, nada… Só um pouco cansado… Já estou velho pra essas coisas.
Não é novidade pra ninguém que gosto muito de fazer sexo com um coroa, que eu me sinto atraído pelos sinais do tempo no rosto de um homem, por uma barriguinha peluda e proeminente, por uma bunda carnuda, por cabelos grisalhos, e principalmente por aqueles coroas que normalmente não estariam trepando por aí, em saunas e outros ambientes congêneres.
Todo mundo sabe que sou mesmo um grande canalha, que gosto mesmo é de homens coroas, e que não me envergonho de usar os artifícios de que necessitar para alcançar meus objetivos.
Domingo à tarde, sol brilhando apesar do frio. Crianças andando de bicicleta, jogando bola, correndo. Pais e mães alegres em seu redor. Na verdade, tudo parecia um longo comercial de margarina.
Acho que seria interessante eu admitir: barbeiros me dão tesão, e são meu maior fetiche!