Medo de Avião
Caros Amigos.
Devo, antes de mais nada, confessar que apesar de ser um homem despachado, vivido, experiente, apesar de ainda nem ter chegado aos 30 anos de idade, apesar de tudo isso eu nunca havia voado. Mas a hipótese de um novo emprego em São Paulo, que me renderia seis vezes meu salário atual, me fez embarcar num vôo numa sexta-feira pela manhã rumo à Cidade da Garoa.
Enquanto aguardava no aeroporto, não pude deixar de externar o nervosismo natural daqueles que pela vez primeira embarcam num avião. Como também não pude deixar de notar os belos homens que por ali andavam.
Um, em especial, fez-se notar sobremaneira. Na sala de espera sentou-se a meu lado, de tal forma que eu podia sentir o seu perfume, lendo um livro que eu não conseguia identificar. Aparentava uns 45 anos (mas tinha 62, soube mais tarde), gordinho, calvo, dono de olhos verde-azulados, lábios lindos, bigode. Uma vez que ele vestia uma calça informal e camisa pólo, pude perceber que ele era muito peludo, e que tinha um considerável volume entre as pernas. Vi que não era gaúcho pela maneira de falar (sempre usando “você”, jamais um “tu”).