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Posts Tagged ‘blefe’

O Sequestro

March 11th, 2009
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freundinLogo no início de minha carreira trabalhei em uma empresa de importação e exportação que se caracterizava, principalmente, pela rigidez com que se tratavam todas as relações comerciais e pessoais relacionadas aos negócios. Isso era reflexo, naturalmente, do seu diretor, filho do fundador da empresa, o Dr. Vilmar.

Todos gostavam dele, mas de certa forma também o temiam. Ele não admitia erros, e preferia pagar qualquer preço do que manter um colaborador que tivesse, algum dia, errado em algum dos procedimentos. Da mesma forma, não admitia que os clientes reclamassem de um funcionário da empresa. Se algo assim acontecesse, e chegasse a seus ouvidos, era demissão na certa. Havia vários casos conhecidos na empresa de ex-funcionários que além de terem recebido todas as verbas rescisórias referentes a uma demissão por justa causa, ainda haviam ficado alguns meses recebendo salário mesmo sem trabalhar, apenas para não pisarem mais na firma.

A meu turno, levei alguns meses até conhecer pessoalmente o Dr. Vilmar. Devido à natureza não tão nobre de meu trabalho, e ao horário diferenciado por causa da faculdade, as chances de nós nos encontrarmos eram reduzidas.

Da primeira vez em que eu o vi as circunstâncias não eram propriamente favoráveis para mim. O telefone tocara, e eu atendi como de costume: “Expedição, Alfredo”. Foi um erro. Banal para qualquer pessoa, terrível para mim, devido às circunstâncias, e para o Dr. Vilmar, devido a seu temperamento. Na verdade, era ele telefonando do orelhão em frente à empresa para fazer “benchmark” da qualidade do atendimento telefônico. “Rapaz, no seu treinamento não lhe disseram que toques longos no ramal indicam uma ligação oriunda de uma linha externa, e que toques curtos indicam uma ligação oriunda de ramal? E por que você não atendeu o telefone com o cumprimento adequado? Aguardo o senhor em minha sala dentro de quinze minutos, e sem atrasos, bem entendido?”

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O Blefe

March 6th, 2009
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daddy101Eduardo morava nas proximidades do Corpo de Bombeiros desde criança. Todos o conheciam na vizinhança, e o tinham na conta de bom moço, de exemplo de virtude, pois desde adolescente viu-se na condição de arrimo de família.

Além dos sofrimentos que uma situação destas naturalmente implicaria, como dificuldades financeiras, falta de estudo, uma mãe desequilibrada e alcoolista, irmãos pequenos para sustentar, ele ainda sofria uma dor quase inconfessável, a de ter preferência por homens. Mas não quaisquer homens, como os colegas de trabalho ou da escola. Eduardo gostava de homens maduros, grisalhos, barrigudos, calvos. Os traços da idade atraíam o jovem, que continha seus sentimentos no mais absoluto segredo.

Antero só tivera na vida um emprego. Aos 18 anos ingressara na Corporação, e orgulhava-se muito de ter salvado muitas vidas no mar, ter ajudado a conter incêndios terríveis, e principalmente de ter ido muito a escolas para fazer palestras e ajudar os professores em sala de aula. Ele dizia que só com educação seria possível tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

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