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Posts Tagged ‘carinho’

Tio Cláudio

March 12th, 2009
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08072007494Nasci em uma família de moldes tradicionais, de moral judaico-cristã, que tinha como peculiaridade o fato de ser ausente. Se hoje condenam-me por não visitar pais e tios, creio que isso seja meramente um reflexo de como fui criado.

Fui precoce em muitos aspectos, como aprender a usar e a programar computadores sozinho antes dos 14 anos de idade (na época em que esses aparelhos custavam muitos milhares de dólares, devido à reserva de mercado), ou aprender eletrônica apenas lendo e pesquisando livros e revistas. Mas no que diz respeito a relacionamentos amorosos e sexuais, tive uma iniciação tardia, bem mais tardia do que seria normal em nossa cultura.

Eu tinha 21 anos, e era um jovem deprimido, frustrado, pois sabia que era homossexual, e sentia-me culpado por isso. Mais ainda, sentia-me culpado por não gostar de jovens, e sim de homens maduros, gordos, calvos, enfim, bem distantes do padrão de beleza comercial corrente. Se entre os heterossexuais eu era rechaçado por ser gay, entre os gays eu era rechaçado por gostar de “velhos”.

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Sérgio e Heitor

March 11th, 2009
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chuck-002Sérgio tinha pouco menos de trinta anos quando perdeu sua razão de viver, Gilberto, que tinha poucos meses de idade a mais. Foi-lhe verdadeiramente difícil aceitar a perda, tanto pela maneira estúpida como o outro se fora, quanto pelo fato de Gilberto estar na estrada àquela noite indo resolver um assunto pendente de Sérgio, em outra cidade. Isto criou nele um previsível sentimento de culpa que o fez mal sair de casa durante muito tempo, nem mesmo para trabalhar.

Um dia, contudo, a culpa principiou a cessar, e Sérgio passou a procurar alternativas para seus dias de tristeza e solidão depressiva. Acabou então juntando-se a uma ONG que se ocupava de mandar pessoas a hospitais, asilos e orfanatos para cuidar da aparência dos internos. Nos lugares onde os internos tinham poder aquisitivo eles colhiam donativos que eram distribuídos nas instituições mais necessitadas.

Sérgio não tinha grandes habilidades manuais, mas gostava de cortar as unhas dos velhinhos que já não tinham mais flexibilidade para cuidarem dedicadamente dos próprios pés. Nos dias de teatro infantil no orfanato seu “trabalho” era ficar sentado no chão, no meio das crianças, acolhendo no colo tantas quantas fosse possível, e tomando o cuidado para não dar colo a uma mesma criança novamente antes que todas tivessem tido oportunidade.

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O Sequestro

March 11th, 2009
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freundinLogo no início de minha carreira trabalhei em uma empresa de importação e exportação que se caracterizava, principalmente, pela rigidez com que se tratavam todas as relações comerciais e pessoais relacionadas aos negócios. Isso era reflexo, naturalmente, do seu diretor, filho do fundador da empresa, o Dr. Vilmar.

Todos gostavam dele, mas de certa forma também o temiam. Ele não admitia erros, e preferia pagar qualquer preço do que manter um colaborador que tivesse, algum dia, errado em algum dos procedimentos. Da mesma forma, não admitia que os clientes reclamassem de um funcionário da empresa. Se algo assim acontecesse, e chegasse a seus ouvidos, era demissão na certa. Havia vários casos conhecidos na empresa de ex-funcionários que além de terem recebido todas as verbas rescisórias referentes a uma demissão por justa causa, ainda haviam ficado alguns meses recebendo salário mesmo sem trabalhar, apenas para não pisarem mais na firma.

A meu turno, levei alguns meses até conhecer pessoalmente o Dr. Vilmar. Devido à natureza não tão nobre de meu trabalho, e ao horário diferenciado por causa da faculdade, as chances de nós nos encontrarmos eram reduzidas.

Da primeira vez em que eu o vi as circunstâncias não eram propriamente favoráveis para mim. O telefone tocara, e eu atendi como de costume: “Expedição, Alfredo”. Foi um erro. Banal para qualquer pessoa, terrível para mim, devido às circunstâncias, e para o Dr. Vilmar, devido a seu temperamento. Na verdade, era ele telefonando do orelhão em frente à empresa para fazer “benchmark” da qualidade do atendimento telefônico. “Rapaz, no seu treinamento não lhe disseram que toques longos no ramal indicam uma ligação oriunda de uma linha externa, e que toques curtos indicam uma ligação oriunda de ramal? E por que você não atendeu o telefone com o cumprimento adequado? Aguardo o senhor em minha sala dentro de quinze minutos, e sem atrasos, bem entendido?”

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A Mudança

March 10th, 2009
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picture_012Tudo acertado para minha mudança: um novo apartamento, maior (já não agüentava mais sentir-me um espermatozóide: o apartamento era um ovo, o condomínio um saco, os vizinhos uns pentelhos, etc.). Precisava apenas encontrar alguém que fizesse o frete, e se possível que cuidasse de desmontar e remontar meus poucos móveis.

Pesquisei entre vários profissionais, com preços realmente variando muito, mas acabei optando pelo Seu Dono (depois soube que seu nome era Donatelo, mas ele se sentia constrangido ao ser chamado assim). Era um coroa de uns 48 anos, braços fortes, barriguinha, calvo, olhos azuis, pêlos loiros cobrindo os braços e peito, coxudo, bunda redonda e firme. Sem dúvida alguma optei por ele devido a sua aparência.

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A Volta do Canalha

March 10th, 2009
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stanTodo mundo sabe que sou mesmo um grande canalha, que gosto mesmo é de homens coroas, e que não me envergonho de usar os artifícios de que necessitar para alcançar meus objetivos.

Contudo, passei alguns meses perdidamente apaixonado por um sujeito que era tudo o que eu poderia querer na vida, lindo, carinhoso, culto, inteligente. Mas como nada é perfeito, ele resolveu ir embora, procurar outro macho pra chupar-lhe o pau e foder-lhe o cu.

Foi aí que entendi por que os bate-papos pela Internet são tão cheios de gente procurando transas: o sujeito, por mais seguro de si, fica se sentindo um bosta quando termina um relacionamento, e o anonimato da Internet é uma bênção, pois permite dar asas à imaginação, e se a covardia falar mais alto é só desconectar e pronto.

Eu também fui para a Internet, para procurar um coroa pra transar.

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