Domingo no Parque
Domingo à tarde, sol brilhando apesar do frio. Crianças andando de bicicleta, jogando bola, correndo. Pais e mães alegres em seu redor. Na verdade, tudo parecia um longo comercial de margarina.
A meu turno, sentia-me tristonho, sozinho, melancólico. Havia um ano que meu antigo amor simplesmente desaparecera, sem deixar pistas ou sinais. A velha história de “saiu pra comprar cigarro”, e nunca mais voltou.
Estava sentado em um dos bancos do parque, observando as crianças e lembrando de quando não pensava em amores, nem sentia solidão, apenas brincava e crescia. Talvez eu até tenha sido uma criança feliz.
Estava perdido nesses devaneios e nem percebi que um casal sentara-se no mesmo banco que eu. Ambos de meia idade, silenciosos, também de olho nas crianças. Uma garrafa térmica e uma cuia de chimarrão passaram das mãos dela às dele, que ao terminar de sorver o último gole, ofereceu-me um. Aceitei mais por obrigação do que por qualquer outro motivo.
Trocamos algumas palavras superficiais, acerca do tempo, do friozinho gostoso, quando a mulher pediu licença, pois precisava ir embora.
— Vais ficar mais um pouco, meu velho? — perguntou ela com carinho na voz.