A manhã estava fria, prenunciando inverno, a despeito de estarmos no outono. Uma garoa finíssima me pegara de surpresa, e acabei entrando no salão do Deco, meu novo barbeiro, mais para me proteger do tempo do que para cortar cabelo. Mas, ali estando, seria uma excelente desculpa para passar o tempo.
Era quase meio-dia, e quem veio me cortar o cabelo foi o próprio Deco.
— Como vai, patrão, gostou do corte? Vamos repetir?
— Claro, Deco, não só cabelo como barba e, por favor, não esqueça de me aparar o bigode.
Deco é um sujeito muito atraente. Deve ter uns 50 anos de idade. Tem olhos negros que contrastam com a brancura de sua pele, e seus cabelos grisalhos, meio raros na fronte, são cortados muito curtos. Tem um nariz muito bem desenhado, lábios finos, e um sorriso maravilhoso. Da outra vez em que estive cortando cabelo com ele (e só entrei no salão porque ele era muito atraente, mesmo) já ficara observando os fios de cabelo grisalho que saíam para fora de sua camisa, e para os pêlos que recobriam sua mão.
Com a naturalidade de sempre Deco abriu minha camisa no colarinho, e vestiu-me com a tradicional capa protetora. Cada vez que a pele dele tocava na minha parecia que faíscas elétricas incendiavam meu corpo, e não fui capaz, confesso, de segurar uma ereção que veio instantânea. Para incendiar mais as coisas, ele tinha aquele cheiro suave e barato de talco e loção pós-barba, que em outro homem causariam asco, mas no barbeiro são elementos de puro excitamento.
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