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Posts Tagged ‘festa’

Contrastes

March 12th, 2009
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O sábado frio do inverno gaúcho surpreendia pelos contrastes: a temperatura baixa contra o sol brilhante; as nuvens brancas contra o azul do céu; e a paisagem bucólica de uma fazenda dezenas de quilômetros afastada da cidade, e o quase vício de Marcelo por tecnologia, Internet e badulaques eletrônicos. Ao mesmo tempo que passar o dia dos pais com sua família era motivo de alegria, há tanto que não se viam, era motivo de agonia e tensão.

Após uma viagem demorada, plena de comparações inadequadas, do tipo “de Porto Alegre a são Paulo vou em uma hora e meia, mas para ir da civilização aos cafundós é necessário quase um dia”, finalmente ele podia ouvir o crepitar da churrasqueira em que se assaria a carne do jantar. Um beijo na mãe, um abraço no pai e outro no irmão, e tudo que Marcelo queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir, para o passeio acabar logo.

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O Espião

March 11th, 2009
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Sábado, cerca de uma da tarde. Embora inverno, a tarde era quente, um vento prenunciando chuva tornava o dia abafado o suficiente para que algumas pessoas se aventurassem em mangas curtas e bermudas.

Fui almoçar em meu restaurante de todos os sábados, no Menino Deus, menos pela qualidade do que pela falta de ânimo para inovar no que quer que fosse. Lá chegando, tive a impressão de que o bairro inteiro tivera a mesma idéia, haja vista a extensão da fila que se formava diante do estabelecimento.

Deixei meu nome na fila de espera e fui procurar um lugar em que ficasse menos exposto aos olhares, mas não tão oculto a ponto de não ouvir quando chamassem meu nome. Fiquei observando as famílias que se acercavam, e uma em especial me chamou atenção.

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Professor de História

March 10th, 2009
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chuck-003Depois de muitos anos afastado dos estudos decidi que era hora de voltar a estudar. Ter o terceiro grau passara a ser algo extremamente importante, à medida que eu saía da casa dos vinte para entrar na dos trinta. Por uma questão de gosto pessoal escolhi o curso de Letras, pois queria divertir-me enquanto estivesse estudando, e não apenas cumprir com mais uma obrigação chata.

Tudo estaria ótimo, não fosse a quase total ausência de homens no curso. Só mulheres nas salas de aulas. Por coincidência no primeiro semestre, na cadeira de Sintaxe, eu ainda encontrara um ex-colega de trabalho, já cinqüentão, por quem desde meu primeiro emprego nutria um certo tesão.

— É foda, depois de velho ter de voltar a estudar… Mas é isso ou demissão! — queixava-se ele.

O semestre passou, e mais outro, e mais outro. De fato, as meninas do curso gostavam muito de mim, professores também. Tudo muito bom, exceto a falta de uns coroas para, no mínimo, dar umas olhadas.

Sempre que podia ia mais cedo para a faculdade, e dava uma perambulada básica pelos banheiros. Uma vez vi um coroa lindo, que depois soube ser aluno de Engenharia (colega de meu irmão) mijando, com o cacete e as bolas totalmente pra fora das calças. Lamentei não ter uma câmera pra fotografar aquele monumento.

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A Festa da Empresa

March 10th, 2009
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07122102Tem certas coisas que realmente me deixam de saco muito cheio, mas nada como essa época de final de ano, natal, ano-novo, a hipocrisia institucionalizada. Não existe, tampouco, nada pior que as tais trocas de presente de “amigo oculto”, que consegue ser ainda pior quando dou o azar de sortear ou ser sorteado por alguém que não faço a menor idéia de quem seja.

Não foi quase nada diferente esse ano que passou. Houve um único detalhe que salvou a festa de confraternização, que foi mais “especial” este ano porque também era a inauguração da nova sede da empresa. Estamos saindo de uma casa apertada para as quase quarenta pessoas trabalharem, e indo para um prédio esplêndido, com cinco andares e espaço de sobra. A festa foi no prédio novo.

Estávamos todos por lá, 90% do pessoal eram mulheres, algumas com maridos, namorados, e havia um único coroa, que é o chefe da contabilidade. Seu Geraldo tem 65 anos, baixinho, não serve pra gordo, mas pra magro tampouco. Tem olhos verdes, cabelos grisalhos, um jeitinho de falar que cativa, e está sempre muito só. Talvez porque a idade média do pessoal da empresa seja apenas 22 anos, e ele se sinta deslocado, talvez por timidez, ou por qualquer outro motivo.

Lembro que da primeira vez em que nós nos vimos eu fiquei cheio de tesão por ele, e se a empresa aceitou minha proposta para trabalhar com eles, foi por causa da influência de Seu Geraldo. Ele me queria por perto, por alguma razão.

A festa estava chata, e tendia a piorar, porque as meninas resolveram cantar no “videokê”. Se gostam tanto de cantar, poderiam pelo menos aprender, não é mesmo? Dei uma olhada sem esperanças ao redor, e vi Seu Geraldo sentado de pernas abertas numa cadeira, num canto, uma carinha triste. Ele vestia uma calça social azul, que deixava bem desenhadas suas bolas, e eu cria poder identificar a cabeça da pica por sob o tecido. Trajava também uma camisa azul mais escura, por cuja abertura era possível perceber seus poucos pêlos do peito.

Saí de onde estava e fui sentar ao seu lado.

— Que carinha triste é essa, Seu Geraldo?

— Não, nada… Só um pouco cansado… Já estou velho pra essas coisas.

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A Festa do Penta

March 9th, 2009
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chubfest4-14_3Sempre digo que não sou brasileiro, uma vez que as três coisas preferidas do brasileiro são cachaça, futebol e mulher. Algumas vezes, contudo, falando em futebol, assisti umas partidas da Copa pra ver aqueles coroas lindos que ficam nos lugares especiais das arquibancadas, uns torcedores especiais, ou mesmo algum médico ou técnico, prncipalmente da Seleção Brasileira.

Eis que bem próximo à minha casa haveria a festa para receber o Felipão e a equipe técnica, e eu meio de bobeira não poderia deixar de ir. No mínimo, sairia de dentro de casa.

Não sou nenhum Paul Sorvino, mas sei que sou notado por onde passo. Tenho 1,80m, 100kg, olhos azuis, pêlos no peito, braços e pernas fortes, sou másculo e discreto, sem deixar de ser safado quando tenho que ser.

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