O ano não sei bem, mas já fazia um tempo que eu tinha sido mandado embora do exército. Disseram que eu tinha sofrido um acidente e ficado com problema de coluna, mas isso foi só pra meu pai, digo, meu padrasto, não se chatear comigo. Ele tinha muito orgulho de seu “filho” de criação ter servido exército, e queria muito que eu seguisse carreira. Se ele soubesse que o real motivo de eu ter sido expulso das tropas era eu ser fraco e medroso, chegando a provocar detenções diariamente apenas para não precisar integrar-me aos outros milicos, ele se decepcionaria muito, e ninguém precisava disso.
Saí do exército e voltei para a estância, que era onde eu me sentia seguro, entre a criação, no meio da peonada mais velha, perto da minha mãe, a única pessoa que me restara da minha família original. E eu a ela, era o único que restava da família.
Meu padrasto era homem muito bom, embora não fosse de demonstrar carinho ele pegou muito amor por minha mãe e por mim. Acho até que, de certa forma, quando eu voltei do exército ele se aliviou, pois nunca disse uma palavra de reprovação, embora o sonho dele era que eu fosse capitão do exército. Por que capitão, e não coronel ou general? Não sei.
Meu padrasto tinha um afilhado, cujo nome verdadeiro eu não sei, e nem qual o grau de parentesco dos dois. Só sei que uma vez a cada quinze ou vinte dias o Tio Duque, como éramos acostumados a chamá-lo, ia lá pra casa e passava uma temporada, tipo uma ou duas semanas, já que a estância dele ficava bem distante, e para valer a pena tinha que ficar bastante, pois só de viagem era algo como um dia inteiro a cavalo.
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