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Tio Cláudio

March 12th, 2009
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08072007494Nasci em uma família de moldes tradicionais, de moral judaico-cristã, que tinha como peculiaridade o fato de ser ausente. Se hoje condenam-me por não visitar pais e tios, creio que isso seja meramente um reflexo de como fui criado.

Fui precoce em muitos aspectos, como aprender a usar e a programar computadores sozinho antes dos 14 anos de idade (na época em que esses aparelhos custavam muitos milhares de dólares, devido à reserva de mercado), ou aprender eletrônica apenas lendo e pesquisando livros e revistas. Mas no que diz respeito a relacionamentos amorosos e sexuais, tive uma iniciação tardia, bem mais tardia do que seria normal em nossa cultura.

Eu tinha 21 anos, e era um jovem deprimido, frustrado, pois sabia que era homossexual, e sentia-me culpado por isso. Mais ainda, sentia-me culpado por não gostar de jovens, e sim de homens maduros, gordos, calvos, enfim, bem distantes do padrão de beleza comercial corrente. Se entre os heterossexuais eu era rechaçado por ser gay, entre os gays eu era rechaçado por gostar de “velhos”.

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Estranho Prazer

March 12th, 2009
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daddycopHá quinze anos eu saía de uma péssima temporada de dois anos servindo no Exército. Eu odiava aquilo tudo, principalmente pela disciplina hipócrita que era imposta, e também pelas privações a que submetiam os recrutas e soldados. Sem falar, claro, nas humilhações. Estas eram o pior preço que se pagava por ser brasileiro vivendo a melhor fase da vida confinado a um antro de mentira e prepotência. Claro que há quem goste, e longe de mim fazer qualquer julgamento; apenas quero manter distância até mesmo das recordações daquela época.

Como tudo na vida é relativo, a melhor lembrança daquela fase no início da minha terceira década de vida também diz respeito às Forças Armadas: o dia da baixa. Senti-me o homem mais feliz do mundo, o mais livre, sentia-me forte, eufórico, como imagino ficaria o King Kong se cheirasse algum pozinho do diabo.

Meu primeiro emprego depois do exército foi um remendo até encontrar algo na minha área (Eletrônica, na época): encarei um estágio no extinto Banco Meridional. E foi lá que começou uma história que só se completaria uma década e meia depois.

Na agência em que eu trabalhava havia muitos funcionários e estagiários; além disso havia as empresas terceirizadas, que cuidavam da segurança e da zeladoria (limpeza) do prédio. Um dos vigias era o Alceu, na época com uns 37 anos, cerca de 1,65m e uns 70kg. Ostentava um bigode bem cuidado, preto, combinando com a cor de seus olhos, que contrastavam com a brancura de sua pele. Cabelo ele tinha, mas estava começando a rarear, o que se percebia com mais ênfase devido às sobrancelhas grossas que ornavam o conjunto, cujo ponto alto, não desmerecendo nenhum outro, eram seus lábios. Não gosto de homens de lábios grossos. Digo, prefiro homens de lábios finos, são mais gostosos de beijar, e dão um ar mais másculo. Mas, naquele tempo, eu não sabia que diferença tinha beijar qualquer tipo de homem.

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Tio Duque

March 6th, 2009
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daddy081O ano não sei bem, mas já fazia um tempo que eu tinha sido mandado embora do exército. Disseram que eu tinha sofrido um acidente e ficado com problema de coluna, mas isso foi só pra meu pai, digo, meu padrasto, não se chatear comigo. Ele tinha muito orgulho de seu “filho” de criação ter servido exército, e queria muito que eu seguisse carreira. Se ele soubesse que o real motivo de eu ter sido expulso das tropas era eu ser fraco e medroso, chegando a provocar detenções diariamente apenas para não precisar integrar-me aos outros milicos, ele se decepcionaria muito, e ninguém precisava disso.

Saí do exército e voltei para a estância, que era onde eu me sentia seguro, entre a criação, no meio da peonada mais velha, perto da minha mãe, a única pessoa que me restara da minha família original. E eu a ela, era o único que restava da família.

Meu padrasto era homem muito bom, embora não fosse de demonstrar carinho ele pegou muito amor por minha mãe e por mim. Acho até que, de certa forma, quando eu voltei do exército ele se aliviou, pois nunca disse uma palavra de reprovação, embora o sonho dele era que eu fosse capitão do exército. Por que capitão, e não coronel ou general? Não sei.

Meu padrasto tinha um afilhado, cujo nome verdadeiro eu não sei, e nem qual o grau de parentesco dos dois. Só sei que uma vez a cada quinze ou vinte dias o Tio Duque, como éramos acostumados a chamá-lo, ia lá pra casa e passava uma temporada, tipo uma ou duas semanas, já que a estância dele ficava bem distante, e para valer a pena tinha que ficar bastante, pois só de viagem era algo como um dia inteiro a cavalo.

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