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Posts Tagged ‘pai’

Contrastes

March 12th, 2009
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O sábado frio do inverno gaúcho surpreendia pelos contrastes: a temperatura baixa contra o sol brilhante; as nuvens brancas contra o azul do céu; e a paisagem bucólica de uma fazenda dezenas de quilômetros afastada da cidade, e o quase vício de Marcelo por tecnologia, Internet e badulaques eletrônicos. Ao mesmo tempo que passar o dia dos pais com sua família era motivo de alegria, há tanto que não se viam, era motivo de agonia e tensão.

Após uma viagem demorada, plena de comparações inadequadas, do tipo “de Porto Alegre a são Paulo vou em uma hora e meia, mas para ir da civilização aos cafundós é necessário quase um dia”, finalmente ele podia ouvir o crepitar da churrasqueira em que se assaria a carne do jantar. Um beijo na mãe, um abraço no pai e outro no irmão, e tudo que Marcelo queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir, para o passeio acabar logo.

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Domingo no Parque

March 9th, 2009
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77134297Domingo à tarde, sol brilhando apesar do frio. Crianças andando de bicicleta, jogando bola, correndo. Pais e mães alegres em seu redor. Na verdade, tudo parecia um longo comercial de margarina.

A meu turno, sentia-me tristonho, sozinho, melancólico. Havia um ano que meu antigo amor simplesmente desaparecera, sem deixar pistas ou sinais. A velha história de “saiu pra comprar cigarro”, e nunca mais voltou.

Estava sentado em um dos bancos do parque, observando as crianças e lembrando de quando não pensava em amores, nem sentia solidão, apenas brincava e crescia. Talvez eu até tenha sido uma criança feliz.

Estava perdido nesses devaneios e nem percebi que um casal sentara-se no mesmo banco que eu. Ambos de meia idade, silenciosos, também de olho nas crianças. Uma garrafa térmica e uma cuia de chimarrão passaram das mãos dela às dele, que ao terminar de sorver o último gole, ofereceu-me um. Aceitei mais por obrigação do que por qualquer outro motivo.

Trocamos algumas palavras superficiais, acerca do tempo, do friozinho gostoso, quando a mulher pediu licença, pois precisava ir embora.

— Vais ficar mais um pouco, meu velho? — perguntou ela com carinho na voz.

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Medo de Avião

March 9th, 2009
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chaperoneCaros Amigos.

Devo, antes de mais nada, confessar que apesar de ser um homem despachado, vivido, experiente, apesar de ainda nem ter chegado aos 30 anos de idade, apesar de tudo isso eu nunca havia voado. Mas a hipótese de um novo emprego em São Paulo, que me renderia seis vezes meu salário atual, me fez embarcar num vôo numa sexta-feira pela manhã rumo à Cidade da Garoa.

Enquanto aguardava no aeroporto, não pude deixar de externar o nervosismo natural daqueles que pela vez primeira embarcam num avião. Como também não pude deixar de notar os belos homens que por ali andavam.

Um, em especial, fez-se notar sobremaneira. Na sala de espera sentou-se a meu lado, de tal forma que eu podia sentir o seu perfume, lendo um livro que eu não conseguia identificar. Aparentava uns 45 anos (mas tinha 62, soube mais tarde), gordinho, calvo, dono de olhos verde-azulados, lábios lindos, bigode. Uma vez que ele vestia uma calça informal e camisa pólo, pude perceber que ele era muito peludo, e que tinha um considerável volume entre as pernas. Vi que não era gaúcho pela maneira de falar (sempre usando “você”, jamais um “tu”).

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O Chapéu Panamá

March 6th, 2009
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— Que pouca vergonha — balbuciou Osvaldo com o nariz grudado na vidraça da janela da sala, observando o pátio do vizinho.

— Saia daí, homem, que mania de ficar cuidando da vida dos vizinhos!

— Não é a vida dos vizinhos, estou observando é aquele gavião filho da puta agredindo a filha do Ernesto. É como se fosse minha filha também, ou pelo menos minha sobrinha.

Osvaldo e Ernesto eram conhecidos desde a infância, mas foi mesmo no quartel que a amizade floresceu. Contrariando todas as possibilidades os dois serviram juntos no mesmo pelotão, dormiram quase sempre no mesmo alojamento, tiravam folgas quase sempre juntos, deram baixa no mesmo dia, e conheceram, namoraram e casaram quase sempre nas mesmas épocas. Ficaram um tempo afastados, mas logo que Osvaldo soube onde Ernesto morava tratou de mudar para a mesma cidade, e mais uma vez contrariando todas as probabilidades, comprou uma casa ao lado da casa do amigo.

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Encontro com o Passado

March 6th, 2009
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Ted tem 64 anos de idade. Seu nome verdadeiro é Theodore, mas ninguém o chama assim. “Só minha mãe que me chamava de Theodore. Quando estava brava”. Pesa 98kg distribuídos em 1,70m de altura. Por obra de uma genética generosa, ele tem muita massa muscular e pouca gordura, o que faz com que ele aparente pesar bem menos. Seus cabelos são negros, da cor de seus olhos, e o bigode sempre impecável acompanha o tom.

Ted saiu da casa de seus pais bem jovem, pensando que assim encontraria a paz. Ele nunca se dera muito bem com o pai, e as coisas pioravam à medida em que ele ia se dando conta de que possivelmente o pai preferisse um filho “diferente” do que Ted poderia ser. Em outras palavras, Ted gostava de rapazes, e ele tinha certeza de que o pai reprovaria totalmente uma coisa dessas.

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