Contrastes

O sábado frio do inverno gaúcho surpreendia pelos contrastes: a temperatura baixa contra o sol brilhante; as nuvens brancas contra o azul do céu; e a paisagem bucólica de uma fazenda dezenas de quilômetros afastada da cidade, e o quase vício de Marcelo por tecnologia, Internet e badulaques eletrônicos. Ao mesmo tempo que passar o dia dos pais com sua família era motivo de alegria, há tanto que não se viam, era motivo de agonia e tensão.
Após uma viagem demorada, plena de comparações inadequadas, do tipo “de Porto Alegre a são Paulo vou em uma hora e meia, mas para ir da civilização aos cafundós é necessário quase um dia”, finalmente ele podia ouvir o crepitar da churrasqueira em que se assaria a carne do jantar. Um beijo na mãe, um abraço no pai e outro no irmão, e tudo que Marcelo queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir, para o passeio acabar logo.
Domingo à tarde, sol brilhando apesar do frio. Crianças andando de bicicleta, jogando bola, correndo. Pais e mães alegres em seu redor. Na verdade, tudo parecia um longo comercial de margarina.
Caros Amigos.