O Blefe
Eduardo morava nas proximidades do Corpo de Bombeiros desde criança. Todos o conheciam na vizinhança, e o tinham na conta de bom moço, de exemplo de virtude, pois desde adolescente viu-se na condição de arrimo de família.
Além dos sofrimentos que uma situação destas naturalmente implicaria, como dificuldades financeiras, falta de estudo, uma mãe desequilibrada e alcoolista, irmãos pequenos para sustentar, ele ainda sofria uma dor quase inconfessável, a de ter preferência por homens. Mas não quaisquer homens, como os colegas de trabalho ou da escola. Eduardo gostava de homens maduros, grisalhos, barrigudos, calvos. Os traços da idade atraíam o jovem, que continha seus sentimentos no mais absoluto segredo.
Antero só tivera na vida um emprego. Aos 18 anos ingressara na Corporação, e orgulhava-se muito de ter salvado muitas vidas no mar, ter ajudado a conter incêndios terríveis, e principalmente de ter ido muito a escolas para fazer palestras e ajudar os professores em sala de aula. Ele dizia que só com educação seria possível tornar o mundo um lugar melhor para se viver.