Efeito Estocolmo
Cilon era contador. Ou, como ele mesmo gostava de se definir, bacharel em Ciências Contábeis. Tinha 48 anos de idade, era casado com uma esposa insossa e tinha dois filhos de 17 e 15 anos de idade. Ele tinha um sonho: ver-se livre da mulher para poder curtir em paz sua vida simples e pacata, ao lado dos seus rebentos.
Seu casamento foi arranjado, pois no que dependesse de Cilon ele seria solteiro para o resto da vida. Mas não porque fosse alguma sorte de playboy incorrigível, apenas porque ele não conseguia se ver ao lado de uma mulher, ainda mais uma como a que lhe arranjaram: obesa, mal-humorada, desleixada e fútil.
Sua vida sexual nunca fora nenhum primor. Na verdade, eles estiveram casados por quase dez anos até que ela o convencesse de que tinham de transar. O filho mais velho, a propósito, foi “encomendado” por acidente: no dia em que tiveram a primeira transa, e a única até um ano depois, Cilon estava tão nervoso que ejaculou assim que a glande penetrou a vagina da companheira, e como era seu período fértil, eis que a gravidez aconteceu.