Tag Archives: sauna

O Urso e o Coroa

Meu nome é Alberto, sou um coroa de 55 anos de idade, 1,78m de altura e 102kg. Tenho o peito forte, assim como o resto do corpo, fruto de ter sido atleta no passado, recoberto de pêlos já grisalhos, da mesma cor dos cabelos e do bigode que cultivo com cuidado. Fui casado por mais de 30 anos, mas por uma fatalidade acabei encontrando a viuvez.

Até três anos atrás, pouco depois da morte de minha esposa, eu tinha uma conduta essencialmente heterossexual, e nunca sequer passara por minha cabeça a possibilidade de ter encontros de natureza sexual com outro macho.

Contudo, tomado por uma grande curiosidade em termos de sexo, acabei percebendo que o universo homossexual era bastante amplo. Lia diariamente no jornal anúncios de acompanhantes masculinos oferecendo seus préstimos a homens solitários, ouvia falar de saunas, de salas de exibição de vídeos eróticos gays, via revistas sobre o tema nas bancas. E a curiosidade aumentava a cada dia. Tanto quanto aumentava a sensação de culpa por estar fazendo uma incursão num terreno tão proibido quanto o homossexualismo.

Continue reading

O velho que espancava

Quando eu o conheci ele tinha 72 anos. Agora deve estar com uns 83 ou 84. Era bonito, grandão, cabelo branco na cabeça, no peito, no saco, nos braços, mas os das pernas e da bunda eram negros. Aliás, que bunda! Firme feito rocha, não tinha nem como comparar com muita bunda de moleque que tem por aí!

Conhecemo-nos meio por acaso, e devido a sua aparência extremamente masculina tive medo de me aproximar. Depois ele disse que também teve medo na minha aproximação pelo mesmo motivo, e ambos rimos disso. Em meia hora de conversa estávamos decididos a ir a um motel.

Lá chegando, nos abraçamos, e no primeiro beijo senti que ele mordera meu lábio. Não dei bola.

Continue reading

Tio Cláudio

08072007494Nasci em uma família de moldes tradicionais, de moral judaico-cristã, que tinha como peculiaridade o fato de ser ausente. Se hoje condenam-me por não visitar pais e tios, creio que isso seja meramente um reflexo de como fui criado.

Fui precoce em muitos aspectos, como aprender a usar e a programar computadores sozinho antes dos 14 anos de idade (na época em que esses aparelhos custavam muitos milhares de dólares, devido à reserva de mercado), ou aprender eletrônica apenas lendo e pesquisando livros e revistas. Mas no que diz respeito a relacionamentos amorosos e sexuais, tive uma iniciação tardia, bem mais tardia do que seria normal em nossa cultura.

Eu tinha 21 anos, e era um jovem deprimido, frustrado, pois sabia que era homossexual, e sentia-me culpado por isso. Mais ainda, sentia-me culpado por não gostar de jovens, e sim de homens maduros, gordos, calvos, enfim, bem distantes do padrão de beleza comercial corrente. Se entre os heterossexuais eu era rechaçado por ser gay, entre os gays eu era rechaçado por gostar de “velhos”.

Continue reading

O Italiano

035__image_g3— Acchille, com dois C, H e dois L. Pronuncia Aquile. Não tem S no final.

O ano era 1996, e eu estava instalando um software que havia projetado, em um cliente de teste. Era para controle de hotéis e pousadas, e para entender como meu cliente trabalhava acabei ficando por alguns minutos no balcão, registrando as operações de check-in dos hóspedes. Sorte minha.

Acchille era descendente direto de italianos, mas parecia mais germânico: loiro, calvo, barba grisalha bem aparada, sobrancelhas espessas, rosto rosado; pela abertura da camisa eu podia ver seu peito coberto de pêlos loiros e macios; tinha braços que pareciam umas toras de tão fortes, combinando graciosamente com sua barriga saliente; e tudo isso proporcional com bunda e pernas, claro.

Continue reading

O Espião

2007-046

Sábado, cerca de uma da tarde. Embora inverno, a tarde era quente, um vento prenunciando chuva tornava o dia abafado o suficiente para que algumas pessoas se aventurassem em mangas curtas e bermudas.

Fui almoçar em meu restaurante de todos os sábados, no Menino Deus, menos pela qualidade do que pela falta de ânimo para inovar no que quer que fosse. Lá chegando, tive a impressão de que o bairro inteiro tivera a mesma idéia, haja vista a extensão da fila que se formava diante do estabelecimento.

Deixei meu nome na fila de espera e fui procurar um lugar em que ficasse menos exposto aos olhares, mas não tão oculto a ponto de não ouvir quando chamassem meu nome. Fiquei observando as famílias que se acercavam, e uma em especial me chamou atenção.

Continue reading