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Posts Tagged ‘sentimento’

O Urso e o Coroa

December 5th, 2009
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Meu nome é Alberto, sou um coroa de 55 anos de idade, 1,78m de altura e 102kg. Tenho o peito forte, assim como o resto do corpo, fruto de ter sido atleta no passado, recoberto de pêlos já grisalhos, da mesma cor dos cabelos e do bigode que cultivo com cuidado. Fui casado por mais de 30 anos, mas por uma fatalidade acabei encontrando a viuvez.

Até três anos atrás, pouco depois da morte de minha esposa, eu tinha uma conduta essencialmente heterossexual, e nunca sequer passara por minha cabeça a possibilidade de ter encontros de natureza sexual com outro macho.

Contudo, tomado por uma grande curiosidade em termos de sexo, acabei percebendo que o universo homossexual era bastante amplo. Lia diariamente no jornal anúncios de acompanhantes masculinos oferecendo seus préstimos a homens solitários, ouvia falar de saunas, de salas de exibição de vídeos eróticos gays, via revistas sobre o tema nas bancas. E a curiosidade aumentava a cada dia. Tanto quanto aumentava a sensação de culpa por estar fazendo uma incursão num terreno tão proibido quanto o homossexualismo.

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Tio Cláudio

March 12th, 2009
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08072007494Nasci em uma família de moldes tradicionais, de moral judaico-cristã, que tinha como peculiaridade o fato de ser ausente. Se hoje condenam-me por não visitar pais e tios, creio que isso seja meramente um reflexo de como fui criado.

Fui precoce em muitos aspectos, como aprender a usar e a programar computadores sozinho antes dos 14 anos de idade (na época em que esses aparelhos custavam muitos milhares de dólares, devido à reserva de mercado), ou aprender eletrônica apenas lendo e pesquisando livros e revistas. Mas no que diz respeito a relacionamentos amorosos e sexuais, tive uma iniciação tardia, bem mais tardia do que seria normal em nossa cultura.

Eu tinha 21 anos, e era um jovem deprimido, frustrado, pois sabia que era homossexual, e sentia-me culpado por isso. Mais ainda, sentia-me culpado por não gostar de jovens, e sim de homens maduros, gordos, calvos, enfim, bem distantes do padrão de beleza comercial corrente. Se entre os heterossexuais eu era rechaçado por ser gay, entre os gays eu era rechaçado por gostar de “velhos”.

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O Italiano

March 12th, 2009
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035__image_g3— Acchille, com dois C, H e dois L. Pronuncia Aquile. Não tem S no final.

O ano era 1996, e eu estava instalando um software que havia projetado, em um cliente de teste. Era para controle de hotéis e pousadas, e para entender como meu cliente trabalhava acabei ficando por alguns minutos no balcão, registrando as operações de check-in dos hóspedes. Sorte minha.

Acchille era descendente direto de italianos, mas parecia mais germânico: loiro, calvo, barba grisalha bem aparada, sobrancelhas espessas, rosto rosado; pela abertura da camisa eu podia ver seu peito coberto de pêlos loiros e macios; tinha braços que pareciam umas toras de tão fortes, combinando graciosamente com sua barriga saliente; e tudo isso proporcional com bunda e pernas, claro.

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Sérgio e Heitor

March 11th, 2009
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chuck-002Sérgio tinha pouco menos de trinta anos quando perdeu sua razão de viver, Gilberto, que tinha poucos meses de idade a mais. Foi-lhe verdadeiramente difícil aceitar a perda, tanto pela maneira estúpida como o outro se fora, quanto pelo fato de Gilberto estar na estrada àquela noite indo resolver um assunto pendente de Sérgio, em outra cidade. Isto criou nele um previsível sentimento de culpa que o fez mal sair de casa durante muito tempo, nem mesmo para trabalhar.

Um dia, contudo, a culpa principiou a cessar, e Sérgio passou a procurar alternativas para seus dias de tristeza e solidão depressiva. Acabou então juntando-se a uma ONG que se ocupava de mandar pessoas a hospitais, asilos e orfanatos para cuidar da aparência dos internos. Nos lugares onde os internos tinham poder aquisitivo eles colhiam donativos que eram distribuídos nas instituições mais necessitadas.

Sérgio não tinha grandes habilidades manuais, mas gostava de cortar as unhas dos velhinhos que já não tinham mais flexibilidade para cuidarem dedicadamente dos próprios pés. Nos dias de teatro infantil no orfanato seu “trabalho” era ficar sentado no chão, no meio das crianças, acolhendo no colo tantas quantas fosse possível, e tomando o cuidado para não dar colo a uma mesma criança novamente antes que todas tivessem tido oportunidade.

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Professor de História

March 10th, 2009
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chuck-003Depois de muitos anos afastado dos estudos decidi que era hora de voltar a estudar. Ter o terceiro grau passara a ser algo extremamente importante, à medida que eu saía da casa dos vinte para entrar na dos trinta. Por uma questão de gosto pessoal escolhi o curso de Letras, pois queria divertir-me enquanto estivesse estudando, e não apenas cumprir com mais uma obrigação chata.

Tudo estaria ótimo, não fosse a quase total ausência de homens no curso. Só mulheres nas salas de aulas. Por coincidência no primeiro semestre, na cadeira de Sintaxe, eu ainda encontrara um ex-colega de trabalho, já cinqüentão, por quem desde meu primeiro emprego nutria um certo tesão.

— É foda, depois de velho ter de voltar a estudar… Mas é isso ou demissão! — queixava-se ele.

O semestre passou, e mais outro, e mais outro. De fato, as meninas do curso gostavam muito de mim, professores também. Tudo muito bom, exceto a falta de uns coroas para, no mínimo, dar umas olhadas.

Sempre que podia ia mais cedo para a faculdade, e dava uma perambulada básica pelos banheiros. Uma vez vi um coroa lindo, que depois soube ser aluno de Engenharia (colega de meu irmão) mijando, com o cacete e as bolas totalmente pra fora das calças. Lamentei não ter uma câmera pra fotografar aquele monumento.

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