Seu Almeida
Estava eu no supermercado, quando vi meu vizinho saindo carregado de compras. Ele é um homem muito bonito, com sessenta anos de idade, bigode muito bem aparado, olhos verdes, cabelos grisalhos. E o principal: um peito peludo, ornado por duas tetinhas durinhas, e uma barriga redonda e firme.
Apressei-me em minhas compras, e saí andando atrás dele, com um tubo de pasta de dentes na mão, observando seu caminhar firme, a passo lento, e sua bunda redonda, acima das coxas grossas. Vi que ele carregava uma série de sacolas, e que aí poderia residir uma chance de aproximação.
— Boa tarde, “Seu” Almeida! Quer ajuda com as sacolas?
– Obrigado, eu me viro… — disse-me ele, timidamente.
— Por favor, vamos para o mesmo prédio, mesmo… Não me custa nada… — e fui levando a mão em direção à dele. Enquanto tomava uma das sacolas para mim, pude sentir a pele macia e quente de sua mão.
Eu recém havia mudado para um novo prédio, num bairro próximo ao Centro, e não conhecia ninguém na vizinhança. Todas as pessoas pareciam caladas, taciturnas, e nem crianças por perto havia. Eu era o único solteiro do prédio, que era habitado principalmente por casais de meia-idade.