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Posts Tagged ‘sorte’

Decálogo do Chupador de Paus

March 19th, 2009
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7Chupar um pau é algo mais do que colocá-lo na boca e succionar, em meio a uma mistura de língua, dentes, lábios e muita saliva. É um ato de prazer a dois e uma homenagem que um homem presta a outro.

A escolha do pau, ou do homem que o porta, é fundamental. Avaliar bem o volume que se forma na calça; a maneira como o homem se comporta e caminha;, o gesto com a mão, natural, com que acomoda o material na cueca, distraidamente; o interesse dele em você, as vezes tímido, outras determinado; todos são fatores que antecipam uma grande chupada.

Se a sorte está de seu lado e o cara que você paquerou está a seu lado, no banheiro mijando, então, há outros elementos para avaliar. A forma como ele segura o pau, o jorro forte do mijo, as sacudidas vigorosas que dará no pau ao finalizar a mijada e a maneira disfarçada com que faz essa performance, desejando que você esteja assistindo e querendo-o (coisa que você estará fazendo), são indicativos precisos da chupada que poderá vir a acontecer. Se o macho que você escolheu, nos corredores do shoping ou no cinema, é o mesmo que está a seu lado, de pau na mão, terminou de mijar e segue manuseando, levemente o pau, que vai endurecendo, aos poucos, você é um cara de sorte: esse cara quer uma mamada, tanto quanto você quer chupá-lo.

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O Tímido

March 12th, 2009
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26Tomás tinha 22 anos de idade, e trabalhava como office-boy numa grande agência de cobrança. Não gostava muito de trabalhar na rua, mas devido à sua timidez ele sabia que não encontraria outro emprego com facilidade, e o dinheiro lhe era muito importante. Suas passagens pela sede da empresa se davam, basicamente, no início do dia e no final da tarde, o que lhe impedia até mesmo de conhecer melhor os próprios colegas.

Um dia suas preces foram atendidas: ao chegar no escritório de manhã para fazer o levantamento do que precisaria fazer, foi avisado pelo gerente da unidade que aquele seria seu último dia no serviço de rua, e a partir do próximo dia ele passaria a receber treinamento no trabalho do escritório.

Foi o mais longo dos dias de trabalho, e até esquecendo da timidez ele se despedia dos conhecidos dos bancos e repartições por onde habitualmente passava, anunciando a boa nova. E no dia seguinte lá estava ele radiante de alegria, mas pálido de nervosismo e medo do desconhecido.

Quem ficou para ensinar-lhe o trabalho era o colega que estava por aposentar-se, o Ernesto. Tomás não sabia se havia sido uma bênção receber o treinamento de Neto (era como chamavam o colega mais velho) ou se era uma provação a que a vida o fazia passar: Neto era um coroa maravilhoso aos olhos de Tomás, que também acreditava que ninguém desconfiasse de suas preferências sexuais, nem de sua virgindade.

Tomás não se incomodava tanto com gostar de homens, mas quando punha-se a pensar nesse assunto ficava muito indignado por gostar de “velhos” e gordos. Seria muito menos fácil do que ser heterossexual, mas ainda assim seria mais fácil gostar de jovens da sua idade. Mas, não, Tomás gostava justamente de homens do tipo de Neto: não que fosse baixinho, mas para alto tampouco servia; gordinho, com uma barriga redonda e dura, os “peitinhos” crescidos, visíveis, coxas grossas, braços fortes, cabelo que brotava da abertura da camisa, grisalho como o da cabeça; e o que enlouquecia o jovem Tomás: uma bunda grande, redonda, firme, que parecia deixar armada a calça social do coroa.

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O Sequestro

March 11th, 2009
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freundinLogo no início de minha carreira trabalhei em uma empresa de importação e exportação que se caracterizava, principalmente, pela rigidez com que se tratavam todas as relações comerciais e pessoais relacionadas aos negócios. Isso era reflexo, naturalmente, do seu diretor, filho do fundador da empresa, o Dr. Vilmar.

Todos gostavam dele, mas de certa forma também o temiam. Ele não admitia erros, e preferia pagar qualquer preço do que manter um colaborador que tivesse, algum dia, errado em algum dos procedimentos. Da mesma forma, não admitia que os clientes reclamassem de um funcionário da empresa. Se algo assim acontecesse, e chegasse a seus ouvidos, era demissão na certa. Havia vários casos conhecidos na empresa de ex-funcionários que além de terem recebido todas as verbas rescisórias referentes a uma demissão por justa causa, ainda haviam ficado alguns meses recebendo salário mesmo sem trabalhar, apenas para não pisarem mais na firma.

A meu turno, levei alguns meses até conhecer pessoalmente o Dr. Vilmar. Devido à natureza não tão nobre de meu trabalho, e ao horário diferenciado por causa da faculdade, as chances de nós nos encontrarmos eram reduzidas.

Da primeira vez em que eu o vi as circunstâncias não eram propriamente favoráveis para mim. O telefone tocara, e eu atendi como de costume: “Expedição, Alfredo”. Foi um erro. Banal para qualquer pessoa, terrível para mim, devido às circunstâncias, e para o Dr. Vilmar, devido a seu temperamento. Na verdade, era ele telefonando do orelhão em frente à empresa para fazer “benchmark” da qualidade do atendimento telefônico. “Rapaz, no seu treinamento não lhe disseram que toques longos no ramal indicam uma ligação oriunda de uma linha externa, e que toques curtos indicam uma ligação oriunda de ramal? E por que você não atendeu o telefone com o cumprimento adequado? Aguardo o senhor em minha sala dentro de quinze minutos, e sem atrasos, bem entendido?”

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O Espião

March 11th, 2009
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2007-046

Sábado, cerca de uma da tarde. Embora inverno, a tarde era quente, um vento prenunciando chuva tornava o dia abafado o suficiente para que algumas pessoas se aventurassem em mangas curtas e bermudas.

Fui almoçar em meu restaurante de todos os sábados, no Menino Deus, menos pela qualidade do que pela falta de ânimo para inovar no que quer que fosse. Lá chegando, tive a impressão de que o bairro inteiro tivera a mesma idéia, haja vista a extensão da fila que se formava diante do estabelecimento.

Deixei meu nome na fila de espera e fui procurar um lugar em que ficasse menos exposto aos olhares, mas não tão oculto a ponto de não ouvir quando chamassem meu nome. Fiquei observando as famílias que se acercavam, e uma em especial me chamou atenção.

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A Festa da Empresa

March 10th, 2009
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07122102Tem certas coisas que realmente me deixam de saco muito cheio, mas nada como essa época de final de ano, natal, ano-novo, a hipocrisia institucionalizada. Não existe, tampouco, nada pior que as tais trocas de presente de “amigo oculto”, que consegue ser ainda pior quando dou o azar de sortear ou ser sorteado por alguém que não faço a menor idéia de quem seja.

Não foi quase nada diferente esse ano que passou. Houve um único detalhe que salvou a festa de confraternização, que foi mais “especial” este ano porque também era a inauguração da nova sede da empresa. Estamos saindo de uma casa apertada para as quase quarenta pessoas trabalharem, e indo para um prédio esplêndido, com cinco andares e espaço de sobra. A festa foi no prédio novo.

Estávamos todos por lá, 90% do pessoal eram mulheres, algumas com maridos, namorados, e havia um único coroa, que é o chefe da contabilidade. Seu Geraldo tem 65 anos, baixinho, não serve pra gordo, mas pra magro tampouco. Tem olhos verdes, cabelos grisalhos, um jeitinho de falar que cativa, e está sempre muito só. Talvez porque a idade média do pessoal da empresa seja apenas 22 anos, e ele se sinta deslocado, talvez por timidez, ou por qualquer outro motivo.

Lembro que da primeira vez em que nós nos vimos eu fiquei cheio de tesão por ele, e se a empresa aceitou minha proposta para trabalhar com eles, foi por causa da influência de Seu Geraldo. Ele me queria por perto, por alguma razão.

A festa estava chata, e tendia a piorar, porque as meninas resolveram cantar no “videokê”. Se gostam tanto de cantar, poderiam pelo menos aprender, não é mesmo? Dei uma olhada sem esperanças ao redor, e vi Seu Geraldo sentado de pernas abertas numa cadeira, num canto, uma carinha triste. Ele vestia uma calça social azul, que deixava bem desenhadas suas bolas, e eu cria poder identificar a cabeça da pica por sob o tecido. Trajava também uma camisa azul mais escura, por cuja abertura era possível perceber seus poucos pêlos do peito.

Saí de onde estava e fui sentar ao seu lado.

— Que carinha triste é essa, Seu Geraldo?

— Não, nada… Só um pouco cansado… Já estou velho pra essas coisas.

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