O Chapéu Panamá
— Que pouca vergonha — balbuciou Osvaldo com o nariz grudado na vidraça da janela da sala, observando o pátio do vizinho.
— Saia daí, homem, que mania de ficar cuidando da vida dos vizinhos!
— Não é a vida dos vizinhos, estou observando é aquele gavião filho da puta agredindo a filha do Ernesto. É como se fosse minha filha também, ou pelo menos minha sobrinha.
Osvaldo e Ernesto eram conhecidos desde a infância, mas foi mesmo no quartel que a amizade floresceu. Contrariando todas as possibilidades os dois serviram juntos no mesmo pelotão, dormiram quase sempre no mesmo alojamento, tiravam folgas quase sempre juntos, deram baixa no mesmo dia, e conheceram, namoraram e casaram quase sempre nas mesmas épocas. Ficaram um tempo afastados, mas logo que Osvaldo soube onde Ernesto morava tratou de mudar para a mesma cidade, e mais uma vez contrariando todas as probabilidades, comprou uma casa ao lado da casa do amigo.