Tio Cláudio
Nasci em uma família de moldes tradicionais, de moral judaico-cristã, que tinha como peculiaridade o fato de ser ausente. Se hoje condenam-me por não visitar pais e tios, creio que isso seja meramente um reflexo de como fui criado.
Fui precoce em muitos aspectos, como aprender a usar e a programar computadores sozinho antes dos 14 anos de idade (na época em que esses aparelhos custavam muitos milhares de dólares, devido à reserva de mercado), ou aprender eletrônica apenas lendo e pesquisando livros e revistas. Mas no que diz respeito a relacionamentos amorosos e sexuais, tive uma iniciação tardia, bem mais tardia do que seria normal em nossa cultura.
Eu tinha 21 anos, e era um jovem deprimido, frustrado, pois sabia que era homossexual, e sentia-me culpado por isso. Mais ainda, sentia-me culpado por não gostar de jovens, e sim de homens maduros, gordos, calvos, enfim, bem distantes do padrão de beleza comercial corrente. Se entre os heterossexuais eu era rechaçado por ser gay, entre os gays eu era rechaçado por gostar de “velhos”.
Tudo acertado para minha mudança: um novo
Seu Almeida e eu saímos do elevador onde passáramos a última hora e fomos ao seu
Estava eu no supermercado, quando vi meu vizinho saindo carregado de compras. Ele é um homem muito bonito, com sessenta anos de idade, bigode muito bem aparado, olhos verdes, cabelos grisalhos. E o principal: um peito peludo, ornado por duas tetinhas durinhas, e uma barriga redonda e firme.